Pensar grande é sempre muito importante para países e pessoas. É só assim que se chega lá. Com certeza, ninguém nunca ouviu falar de Alexandre, o Médio, por exemplo. Quem ficou para a história foi o Grande Alexandre, conquistador de um vasto império na antiguidade.
No Brasil, no entanto, às vezes exageramos um pouco essa tendência. Se não chegamos a ser megalomaníacos, somos pelo menos bastante hiperbólicos. Orgulhamo-nos de ter o maior estádio de futebol do mundo. Temos a maior usina hidrelétrica do mundo e por aí seguimos, sem perceber inclusive o erro estratégico cometido nesses casos, o que gera ineficiência e gastos excessivos ao país.
Mas uma coisa que talvez não estejamos percebendo. Temos também um dos maiores e mais onerosos aparelhos estatais do mundo, algo que com certeza não merece um mínimo de comemoração. Matéria publicada por este Comércio no domingo, 26/08, mostra que nosso governo criou mais uma empresa estatal, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), responsável por gerir concessões e parcerias público-privadas para mais de 20 ‘grandes’ projetos de infraestrutura, como portos, ferrovias e aeroportos. Seu trabalho principal seria buscar investidores estrangeiros e gerenciar essas parcerias para que elas sejam bem sucedidas.
Até aí, tudo bem. O país está realmente sedento por obras de infraestrutura que melhorem sua competitividade, facilite a presença de empresas brasileiras no mercado internacional e atraia mais capital produtivo para o país. Precisamos baixar os preços e melhorar a qualidade de nossos serviços portuários e aeroportuários. Precisamos também aumentar e melhorar a qualidade de nossa malha ferroviária, rodoviária e até hidroviária. Afinal, precisamos continuar pensando grande.
Essas premências, no entanto, não deveriam significar o aumento do tamanho do Estado brasileiro, que hoje já é muito grande e oneroso. Conforme já dissemos nesse mesmo espaço recentemente, nos dois mandatos do ex-presidente Lula o Estado contratou excessivamente, aumentando de forma exagerada o gasto com funcionalismo.
Com tantas secretarias espalhadas pela estrutura governamental, talvez fosse mais sensato passar essa responsabilidade para alguma delas, ou mesmo deixar essa incumbência para o próprio Ministério do Desenvolvimento, que por função e designação deveria estar bastante próximo desse projeto.
Criar mais uma estrutura governamental, colocando nela mais recursos materiais e humanos, poderá ter até um efeito diverso daquele planejado. Além de aumentar os encargos sobre uma sociedade civil já bastante fustigada pelo fisco federal, essa iniciativa correrá também o risco de ver mais uma estrutura ineficiente e isolada dentro de um complexo governamental em si mesmo já bastante ineficiente, perdulário e desorganizado.
Já está mais do que na hora do governo brasileiro pensar mais em eficiência do que em crescimento. E na administração moderna há muitas ferramentas para isso.
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