Paulo André, zagueiro do Corinthians, tem se notabilizado não apenas por seu desempenho dentro das quatro linhas. Titular do atual campeão da Taça Libertadores da América, o jogador é autor do livro O Jogo da Minha Vida - Histórias e Reflexões de um Atleta e tem participação ativa no Sindicato dos Jogadores de Futebol de São Paulo.
O atleta também tem exercitado a crítica. Recentemente, tornou-se alvo do diretor de seleções da CBF, Andrés Sanches, por ter afirmado que a saída de Ricardo Teixeira da comando da entidade máxima do futebol no País seria positiva para que ‘novas idéias [...] [façam] que o Brasil domine o futebol mundial novamente’.
Em contraste com esse intelectualizado jogador, temos Neymar, a estrela santista. Apesar de todo o brilho que o cerca, seu perfil representa a média dos jogadores do meio futebolístico nacional, atletas que, vendo o esporte como a única possibilidade de ascensão social, esquecem ou se descuidam de procurar educação mais esmerada.
O craque do Santos F. C. causou bastante polêmica por entrevista concedida em 2010, quando demonstrou conhecimento bastante raso em relação às eleições presidenciais brasileiras que ocorreriam dentro de meses.
Mas seria culpa exclusiva dos nossos jovens jogadores, psicologicamente despreparados para uma carga de pressão (e de dinheiro) tão gigantesca, essa condição? Atualmente, há uma forte ligação da Educação com o Esporte, principalmente pela Lei número 9.394/96 (LDB da Educação), que dispõe sobre obrigatoriedade da Educação Física nas escolas.
Especialistas da área dizem que se trata de pseudovalorização. Muitas vezes, a obrigatoriedade é confundida com construção de quadra nas escolas ou com apenas soltar uma bola (geralmente de futebol) e deixar os alunos jogarem. Você já pensou quantas vezes praticou qualquer modalidade de atletismo na escola? Talvez, nenhuma. Ou, poucas vezes.
Além disso, ao contrário de potências olímpicas como os EUA – que dão importância igualitária ao binômio corpo-mente –, no Brasil temos a impressão de que quem se dedica ao esporte não pode e não deve ‘exercitar’ seu intelecto.
Sem dúvida, o esporte precisa crescer nas nossas escolas, mas isso não pode acontecer sem que esteja acompanhado de crescimento intelectual, que geraria maior participação política de nossos atletas. E é mais interessante se pensarmos que muitos deles servem de exemplo para as crianças brasileiras.
Por fim, pensando em no âmbito municipal de Franca, que vive época de eleição: você se preocupa em saber o que nossos candidatos a vereador e a prefeito propõem com relação a esporte e educação? E mais: são propostas factíveis ou estão fora da realidade? Afinal, numa cidade onde o nacionalmente popular futebol anda de mãos dadas com o basquete, a questão adquire dimensão maior ainda...
Gabriel Souza Gregorutti
Estudante da Uwo/Canadá, com Lucas Ribeiro, aluno da Unesp/Franca
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