Quando luta vira briga


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Em recente passagem por Franca, Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, bisneto da Princesa Isabel, provou de um famigerado exercício de democracia que beirou o ridículo de momentos desajustados da importante luta pelo Estado Democrático de Direito no Brasil.

Recebido a quase-socos e a quase-ponta-pés no campus da Unesp Franca, o integrante da família imperial brasileira viu-se, em sua nobreza, compelido a deslocar-se à Faculdade de Direito de Franca para palestrar aos poucos alunos que desejavam ouvir o que ele havia sido convidado a dizer no ciclo de palestras da outra escola.

Não fosse sua tamanha disposição e presteza, teria rechaçado e tomado de volta o rumo de casa.

Fato é que algumas dezenas de jovens, exercendo um falseado direito de protesto, não quiseram que ele falasse sobre a monarquia brasileira. O que espanta, novamente, é que tais jovens estão muito ideológicos e pouco realistas. Seus ideais alcançam patamares gigantescos e suas ações, ou beiram à crueldade e barbaridade ou são tão insignificantes que servem somente para fazer barulho.

Esses jovens ao que me parece, absolutamente adversos à monarquia, padecem de dose de consciência sobre relações humanas, sobre respeito à integridade do outro e, acima de tudo, sobre como protestar. Imbuídos de um direito de protesto sem freios nem contrapesos, acreditam que espaços públicos, só por serem espaços públicos, podem se transformar em ringue para que, quando as falhas de suas ideologias estiverem evidentes, partirem para a luta pelo mero prazer da briga.

Muito mais engraçado e talvez até absurda de se conceber para estudantes universitários é que ainda não sabem a quem se dirigir para pleitear suas demandas comunistas, socialistas, dentre outras.

Confundiram a figura de Dom Bertrand. Eu o ouvi. Em dado momento parecia que me via à frente da ‘Presidenta’ Dilma, com exceção apenas ao sotaque francês dele.

A monarquia brasileira existiu e não há protesto ou movimento que a apague. Se, de fato, devemos entender o passado para compreender o presente, qualquer tentativa de culpar a este ou aquele por aquilo que já aconteceu, ou exigir de quem detém mero poder figurativo que beira o simples adorno histórico na atual conjuntura, é vã e frustrada.

A real luta pelos interesses sociais vai muito além de discussões acadêmicas calorosas sobre teses históricas. Talvez a extensão universitária ainda tão deficiente no País seja a principal ferramenta para operar algumas mudanças que, reconheço, são latentes.

O que não se admite, porém, é que neste caminho atropelemos pessoas que são também cidadãs e comungam da mesma proteção enquanto seres humanos. Há um sábio provérbio japonês que retrata bem o ocorrido: ‘lutador é aquele que briga só pelo prazer de brigar; o homem justo é aquele que briga porque é necessário.’

Reforma agrária, inclusão social, luta contra o racismo é competência única da eleita e tão querida Dilma Vana Rousseff. Deixem a Dom Bertrand a incumbência de nos relatar sua versão dos fatos históricos. De resto, que seja respeitado enquanto cidadão brasileiro.

Deny Eduardo Pereira Alves
Presidente do Conselho Municipal da Juventude, estudante da Faculdade de Direito Municipal

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