Antes guerra que conluio


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A combinação de preços, ou a formação de cartéis, como preferem alguns, é uma prática danosa para a sociedade democrática e liberal em que vivemos. Nela, um determinado setor combina um preço mínimo aproximado entre todos os seus empresários e o impõe aos consumidores, passando por cima das principais leis que regem o sistema capitalista, a da concorrência e do livre mercado.

Essa prática, obviamente, é criminosa e deve ser punida assim que descoberta, pois causa desequilíbrio no sistema e acaba lesando a sociedade. O problema é que não é fácil descobri-la, ou pelo menos prová-la, o que dificulta seu combate. Nesses casos, geralmente, o que se tem é uma suposição e uma desconfiança baseada em pesquisas de preços, quando se verificam estabelecimentos geograficamente próximos, ou dentro de uma mesma região, cobrando preços estranhamente parecidos.

No outro extremo dessa mesma questão existe a guerra de preços. É quando alguns empresários de um mesmo setor abaixam exageradamente seus preços, obrigando os seus concorrentes a fazerem o mesmo, a despeito de poderem ou não.

Foi o que aconteceu em Franca na semana passada, no setor de postos de combustíveis, conforme noticiou o Comércio no sábado, 25/08. Para um grupo de empresas que geralmente levanta desconfianças em relação à cartelização de seus preços, a notícia dessa guerra trouxe um alento à população, que viu com alegria a prevalência das leis de mercado.

Mas, se para a população essa ‘guerra’ é muito bem-vinda, para os empresários nem tanto. Em função dela, vários deles são obrigados a praticar preços que podem não compensar, mas é o único modo de não afastar o cliente nessas situações, uma vez que a tendência é que ele procure preços mais baixos quando há essa possibilidade.

Adespeito de causar danos eventual a quem a prática, a guerra de preços faz parte do jogo capitalista. Como a competição não se dá apenas no preço, mas invade também as áreas do atendimento, do posicionamento do produto/serviço, da distribuição e da percepção de marca, desejo e satisfação de necessidades, é de se esperar que cada empresário saiba muito bem como e por onde reagir, enfrentando a guerra de peito aberto ou esgueirando-se em estratégias alternativas e outros diferenciais de mercado.

Afinal, para o bom funcionamento de uma economia de mercado, é importante que todos tenham a liberdade de estabelecer seus preços livremente, mesmo que esses preços tragam embutida alguma estratégia para pressionar e desestabilizar seus concorrentes.

No fundo, todo o bom empresário sabe que o capitalismo é um investimento de risco.

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