O setor de máquinas e equipamentos traçou nesta quarta-feira um cenário pessimista para o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, disse que a capacidade instalada do setor está em 73%, a mais baixa dos últimos 40 anos, e que foram demitidas mais de 10 mil pessoas entre outubro de 2011 e junho de 2012.
Aubert Neto disse que o principal problema enfrentado hoje pela indústria de bens de capital é a concorrência dos importados. Segundo ele, tem entrado no Brasil máquinas chinesas ao preço de US$ 8 o quilo. "Tem que ter defesa comercial. O mundo está em guerra. Esta crise está muito pior para nós do que em 2008", afirmou Aubert Neto, depois de se reunir com o ministro.
Ele disse que solicitou ao governo a elevação da alíquota do Imposto de Importação que, segundo ele, está em 7%, em média. Ele acredita que alguns produtos deveriam atingir a alíquota de 35% , que é o máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Aubert Neto disse que o problema da concorrência com importados não é só mais com a China, mas também com outros países como Alemanha e Itália.
Segundo ele, o câmbio também ainda está desvalorizado e que o ideal seria que hoje ele estivesse a R$ 2,60. O presidente da Abimaq disse que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) 750 itens que poderiam ser incluídos na nova lista de exceção que está sendo criada pelo governo. Por meio dessa lista, o MDIC poderá elevar a alíquota do Imposto de Importação para até 200 produtos. Aubert Neto acredita que a nova lista será definida até 6 de setembro.
Outro pedido do setor, feito ao ministro da Fazenda, foi a redução dos juros nas linhas do BNDES para financiamento de máquinas e equipamentos. Segundo Aubert Neto, qualquer empresa consegue contratar uma linha de financiamento para importação, com juros de 7% ao ano e um ano de carência. Por isso ele acredita que também é preciso ter linhas em patamares internacionais para financiar a produção e a exportação. Ele, no entanto, admitiu que o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que tem linhas subsidiadas do BNDES, ajudou o setor.
Aubert Neto defendeu também a desoneração total dos investimentos e a criação de linhas de financiamento de logo prazo. "Não é a indústria brasileira que não é competitiva. O Brasil é que não é competitivo", afirmou. Para o presidente da Abimaq, o País tem o que chamou de "tripé do mal": câmbio, juros e tributos. Por isso,segundo Aubert Neto a medida emergencial neste momento, que pode ser resolvida de forma mais rápida é reforçar a defesa comercial.
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