Quando assumi a presidência do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, meu antecessor, Élcio Jacometti; o presidente da Associação Manufatureira de Couros & Afins, César Figueiredo Mello Barros e o prefeito, Sidnei Franco da Rocha já haviam feito uma parceria para construir o Aterro Municipal. Portanto, não participei das tratativas que resultaram no acordo. Coube a mim somente assinar os documentos e fazer o discurso de inauguração.
No entanto, não poderia deixar de externar minha admiração pelo feito, pelo esforço de cada um que lutou pela conquista do Aterro e, em especial, pela decisão corajosa do prefeito, que desapropriou uma área em local adequado para a instalação do coletor do lixo da cidade.
É necessário ressaltar que, antes que chegassem à decisão de construir o Aterro, havia o risco dos empresários serem obrigados a transportar seu lixo para outras cidades capazes de dar um destino correto ao material. E isso oneraria ainda mais as fábricas, já carregadas de despesas.
Empolgados em participar da parceria que levaria Franca a dar exemplo de preservação do meio-ambiente em todo o Estado, achamos que deveríamos combater, também, a poluição visual na cidade. Em audiência com o prefeito, entregamos ofício sugerindo ação destinada a três imóveis nas cercanias da Zona Sul: uma fábrica abandonada na avenida dr. Ismael Alonso Y Alonso, a construção inacabada da Secretaria da Fazenda na avenida Ademar Pólo e o ‘esqueleto’, encravado em um dos acessos à cidade. Desse imóvel sugerimos a implosão.
Por se tratar de um dos principais acessos a Franca, o local merece um trabalho específico de revitalização, com planejamento de uma entrada de bom visual, com ornamentos de plantas e flores, oferecendo vista agradável a quem chega à cidade. Infelizmente, naquela ocasião, o prefeito não se mostrou interessado em aderir à nossa sugestão. Algum tempo depois, resolveu desapropriar o ‘esqueleto’ para adequá-lo à construção de uma de suas secretarias.
A adaptação de uma construção, geralmente, acarreta um grande investimento e o resultado final nem sempre é o ideal. Isso, principalmente, se levarmos em conta que o ‘esqueleto’ foi planejado para abrigar um hotel, o que o difere, e muito, de local usado para departamentos administrativos. Ficarão para sempre, ali, as ‘marcas’ de uma reforma.
Melhor seria, então, para abrigar uma repartição pública, construir uma sede nova, moderna e planejada, em local apropriado. Mas o nosso Legislativo, legítimo representante do povo, detentor do poder de veto, ao invés de se manifestar em favor da ornamentação do local, preferiu se calar.
Agora, resta ao prefeito usar o bom senso administrativo que sempre o norteou e rever sua posição. Não há de querer deixar a História registrar mácula em sua administração, a de ser um prefeito que não se importou com trato da beleza da cidade, deixando-lhe, para sempre, uma ‘cicatriz’.
Jorge Félix Donadelli
Bacharel em Direito, presidente da JFD Empreendimentos
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