Greve da Anvisa faz faltar medicamentos em Franca


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O atendente Gabriel Moscardini, 32, segura a última cartela de Advil, medicamento para dor de cabeça, que anda em falta nas drogarias da cidade
O atendente Gabriel Moscardini, 32, segura a última cartela de Advil, medicamento para dor de cabeça, que anda em falta nas drogarias da cidade

Drogarias de várias regiões da cidade têm enfrentado dificuldades para reabastecer seu estoque de medicamentos. De acordo com os farmacêuticos, muitos remédios que dependem da fiscalização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para chegarem às prateleiras acabaram depois que servidores do órgão cruzaram os braços. Em algumas redes, a falta de estoque chega a 1.000 itens. O movimento grevista começou no dia 16 de julho.

Segundo o farmacêutico Fabrício Pedroza, 31, nas últimas semanas, medicamentos de praticamente todos os principais laboratórios do país estão em falta. “De cada laboratório farmacêutico que eu trabalho (48 no total), são cinco produtos com ruptura total no fornecimento.”

Muitos desses medicamentos são de uso contínuo e outros estão entre os mais vendidos no país. “Eu tenho uma falta crônica do Advil (medicamento para dor de cabeça). Fizemos uma previsão de estoque para dois meses, mas ele sumiu.”

A orientação dada aos clientes é para procurar o médico para receitar uma opção para o produto em falta, mas nem sempre é possível. “Acabei de receber uma ligação no celular pedindo um medicamento de R$ 350, usado para pacientes em pós-operatório e eu não tenho”, disse ele na tarde de ontem.

Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, a paralisação de seus funcionários não interferiu na liberação de remédios. Através de uma medida judicial, aprovada em 10 de agosto, a agência garante que 70% dos servidores realizam suas funções normalmente. “No caso dos insumos médicos e medicamentos, não há registro de casos concretos de desabastecimento por conta de represamento de carga em decorrência da greve”, afirma nota da Agência.

Jorge Froes de Aguilar, diretor executivo da Abafarma (Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico), contesta a Anvisa e diz que nem os distribuidores e “muito menos” os laboratórios têm qualquer interesse em deixar de vender medicamentos às drogarias. “Qual o interesse que um laboratório teria em não colocar o produto dele no mercado? Nem o pretexto do aumento de preço pode ser usado, neste caso, já que a alteração é tabelada e é feita, anualmente, em março.”

Ontem, o Governo Federal e 30 categorias em greve, incluindo a da Saúde, chegaram a um acordo (leia texto na Página B-2).

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