Campanha política é sinônimo de emprego para quem está fora do mercado. Os partidos precisam de cabos eleitorais para entregar panfletos, segurar bandeiras, painéis e banners nas ruas da cidade e em rotatórias, sobretudo em locais de maior movimentação de eleitores. Houve época em que isso era trabalho de militante apaixonado - e voluntário. Hoje, os tempos são outros. Cabo eleitoral, só pago.
O contrato formal entre partidos políticos de Franca e os cabos eleitorais contratados estabelece a jornada semanal de 44 horas, salários (variam de R$ 650 a R$ 750), além de benefícios como alimentação e transporte em peruas ou vans.
Dos sete candidatos a prefeito, apenas quatro contrataram cabos eleitorais: Alexandre Ferreira (PSDB), Gilson Pelizaro (PT), Graciela Ambrósio (PP) e Marco Aurélio Ubiali (PSB). Ao todo são cerca de 240 empregos diretos.
Izilda Mendes de Oliveira, 52, foi uma das contratadas. Há mais de um mês trabalha em uma rotatória na Avenida Integração, na Estação, segurando o painel de um candidato a prefeito de Franca. “Essa oportunidade caiu do céu. Além do dinheiro, converso com as pessoas. É também terapia”, afirmou.
Indicada por um amigo que aproveita a época de eleição para ter um salário extra, Raquel do Nascimento, 32, viu a renda melhorar desde que foi contratada. “Esse emprego me trouxe dignidade. Antes eu ganhava R$ 200 por mês costurando sapato. Agora, com esse emprego, consigo pagar conta de água e de luz sem precisar de ninguém”, disse. Renato Lima também trabalha nas ruas e comemora a renda. “O trabalho é bom. O problema é o sol. Mas o que ganho dá para pagar todas as contas”.
Cassiano Pimentel (PV), Hamilton Chiarelo (PsoL) e Marcelo Bomba (PTC) disseram que não têm dinheiro. “Mesmo que eu tivesse verba, não o faria. Acho desumano deixar uma pessoa o dia todo exposta ao sol para segurar bandeira”, justificou Cassiano.
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