Marcelo Bomba, como é conhecido o candidato a prefeito pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão), tem 45 anos. Filho de Benedita Teixeira, nasceu em São Paulo. Mudou-se para Franca em 1970. Em 1979, aos 12 anos, começou a trabalhar como guarda mirim na Rádio Hertz. Tomou gosto pelo rádio. Ao completar 14 anos precisou, por força da lei, sair. Meses depois retornou para a Hertz, onde permaneceria por 26 anos. Foi repórter policial e esportivo, locutor de AM e FM, narrador e comentarista. Foi presidente da Associação de Imprensa de Franca e diretor do MIS (Museu da Imagem e do Som). Na última terça-feira, Bomba abriu a série Sabatinas. Durante uma hora, foi entrevistado por jornalistas do GCN Comunicação. Os principais trechos estão abaixo. Clique aqui e veja o vídeo também.
Comércio - Por que o senhor quer ser prefeito da cidade?
Marcelo Bomba - Primeiro é por ver que a nossa cidade merece ser melhor. Ter uma visão diferente do quadro político que se instalou. Eu penso num projeto de cidade, essa é que é a diferença. Nós estamos vivendo um momento que o Brasil cresce e a cidade está regredindo. Eu tenho ouvido muito falar, “nossa Franca melhor a cada dia”, que é um slogan que se usa por aí. Será que está mesmo? Bom, primeiro, depois do tsunami PT, qualquer coisa que viesse seria muito melhor, não é? Isso é bem claro para todo mundo. Depois, Franca melhor a cada dia, o que melhorou afinal de contas? Essa é a grande pergunta. Os problemas estão aí tanto quanto antes. O povo que está em casa tá cansado dos mesmos. É hora de renovar. E, se você quer renovação, a renovação sou eu nesta campanha. Esta que é a grande realidade. Nunca fui candidato a nada...
Comércio - O senhor tem pouco tempo na TV, sua campanha nas ruas é tímida, e o senhor já disse que não vai fazer caminhada em bairros que não costumava visitar. Ainda assim o senhor acredita que tem chances reais de vitória?
Bomba - Tenho, tenho sim. A minha chance tá aqui, hoje. Eu estou falando com aquela gente que me conhece, que me conheceu durante trinta anos através do rádio, através da televisão. Eu não sou hipócrita de sair com bandeira com um monte de gente paga para ir às ruas e dizer para o povo “olha eu estou aqui”. Eu já fui no bairro, durante trinta anos eu trabalhei indo aos bairros.
Comércio - Franca tem um problema crônico de falta de vagas para atender crianças nas creches da cidade. Estudos do Governo Federal, baseados no Censo 2012, indicam que o município precisa construir mais 25 unidades para zerar o déficit de crianças. Como o senhor pretende resolver este problema?
Bomba - Isso é mais simples do que se imagina. Porque isso é dinheiro da educação. As creches saíram da área social e passaram para a área da educação. Um governo onde sobra dinheiro pelo ladrão, na área de educação, um governo que compra prédio do esqueleto, comprou predinho, as casinhas da Regina Duarte e, se não fosse uma manifestação feita agora no final do ano passado, teria comprado também o prédio do Charm, tudo com verbas da educação. E tá sobrando dinheiro em caixa. Então não falta dinheiro pra resolver o problema. Falta coragem, vontade política de se resolver.
Comércio - O transporte público em Franca é alvo de reclamações e protestos. No último mês de julho, estudantes chegaram a invadir a prefeitura por causa do aumento da tarifa da empresa São José. Na semana passada tentaram repetir a ação. Quais são as suas propostas efetivas para melhorar o transporte público?
Bomba - É uma concessão pública, portanto pertence à Prefeitura. Você, como jornalista e radialista bem informado, sabe se a empresa está cumprindo o que foi contratado? Essa é grande pergunta. Então, há uma relação promíscua de anos e anos entre empresa de ônibus e o poder. Eu não entendo isso e como que as coisas se dão desta forma. Nós precisamos rever o transporte coletivo de um modo em geral. Não tem como você mexer nisso sem você ter um projeto viário para a cidade. Não está na hora de você pensar nos corredores de ônibus, não está na hora de você pensar em outro tipo de transporte alternativo? Isso tudo tem que ser estudado. “Nas coxas” não vai nada, “nas coxas” não vai nada. É primeiro fazer cumprir o que está escrito no contrato. Quem pode, manda, quem tem juízo, obedece.
Comércio - Muitas categorias profissionais, além de estudantes, têm descontos ou isenção nas tarifas. Na sua opinião, isso atrapalha ou é só uma desculpa da empresa?
Bomba - Os dois lados. Atrapalha e é uma desculpa da empresa. Empresa visa lucro, e quanto maior, melhor. Nós temos essa consciência. Os descontos que temos, encarecem o preço. Uma parcela da população paga muito, outras nem tanto, não é? Então precisa tudo ser tudo revisto. Agora a questão do estudante é um direito constitucional.
Comércio - A frota de Franca já rompeu a barreira dos 200 mil veículos e congestionamentos, em alguns pontos, são frequentes. O poder público tentou melhorar o tráfego com a instalação de novos semáforos, câmeras de monitoramento, abertura de novas avenidas e até a construção de um viaduto. Se for eleito, como o senhor pretende melhorar o tráfego em Franca?
Bomba - Olha, essa é uma questão que tem que ser medida e tem que ver o que foi feito. Franca, aliás, o Brasil, não se preparou para esse boom, para essa explosão de colocarmos tantos veículos nas ruas como foram colocados nos últimos anos. Nosso Centro tem problemas caóticos, ruas estreitas. Existem coisas que já deveriam ser feitas, projetos que já deveriam ser feitos, que por prejudicar um comerciante aqui, o outro ali, por ter que tirar estacionamento, não tiveram coragem nem vontade política para fazer. A segunda coisa é o seguinte: foi a maquiagem da cidade. Recapeou apenas as ruas principais, as secundárias, não. Nós não temos um projeto de trânsito, um projeto viário nessa cidade. É sempre “nas coxas”... Cidadão acorda de manhã megalomaníaco, pega e fala assim: “hoje nós vamos fazer um viaduto”. Fez estudo pra fazer o viaduto? Não! É por vaidade, é para colocar o nome da minha mãe. Não é assim que funciona.
Comércio - Na visão do senhor o viaduto não vai melhorar o problema do trânsito e é um dinheiro que está sendo jogado fora?
Bomba - Há muito tempo, desde o começo, eu tenho falado isso. Eu tenho estudos de engenheiro que aquilo ali não vai resolver o problema, vai criar outro. Se a intenção é jogar os veículos aqui para a Santa Cruz, não vai conseguir. Vai criar um afunilamento, um congestionamento na alça de acesso.
Comércio - A saúde pública é uma das áreas mais sensíveis e problemáticas da cidade. Sobram reclamações em todas as áreas. Há filas para atendimento no pronto socorro, demora no agendamento de consultas nas UBSs, espera de meses ou até ano para uma simples cirurgia eletiva. Como resolver esta situação?
Bomba - É aquilo que eu disse, há 26 anos tem as Unidades Básicas de Saúde, há 26 anos não se resolve o problema. Alguém já parou para medir qual é a resolutividade dessas Unidades Básicas de Saúde? Onde o cidadão sai de manhã da sua casa, às vezes amanhece na fila para marcar uma consulta para daqui quinze, vinte, trinta dias; depois ele vai, consegue essa consulta, o médico examina, passa uma série de exames e ele tem que se deslocar do bairro para fazer esses exames em dois ou três lugares diferentes, mais uma espera por esses exames. Aí ele tem que voltar... É isso que nós queremos? Ou será que a gente poderia fazer Centros de Diagnósticos Regionalizados, onde a pessoa fosse, passasse pelo médico, fizesse os exames ali? No final da tarde ela já sairia de lá com os seus exames. Segundo, a nossa proposta é que governo nenhum, prefeito nenhum e principalmente povo nenhum tem que ficar refém de um hospital que a todo momento ameaça cortar serviço. Por isso, desde o primeiro dia eu tenho dito: nós podemos e vamos construir um hospital municipal nesta cidade. E não vão faltar recursos.
Comércio - O senhor tem uma ligação histórica com o prefeito Sidnei Rocha. Na campanha de 2004 foi uma das vozes mais agressivas nos ataques aos adversários, especialmente contra o PT. Com a vitória de Sidnei, acabou indicado para a direção do MIS, Museu da Imagem e do Som. Pouco mais de um ano depois o senhor deixou o cargo. Por que o senhor saiu?
Bomba - Sempre visto a camisa de onde eu trabalho, pode ter certeza disso. Eu acho que ninguém nasceu grudado a nada e eu não tenho problema nenhum com isso, até pela liberdade que eu sempre tive. Eu trabalhei porque eu acreditava que Franca merecia uma mudança, porque aquilo que nós estávamos vendo estava acabando com a cidade que eu gosto tanto. Eu lutei para que a nossa cidade pudesse tomar o seu rumo, tomar o seu prumo, e não errei. Confesso a você que não errei porque a cidade, pelo menos perto do que estava... Melhor do que o PT também era qualquer coisa, né. Agora eu não aceito, nunca aceitei, tem até o Everton (Lima, diretor da rádio Difusora) aqui na mesa que já trabalhou comigo sabe... Ninguém impõe, ninguém manda eu falar nada. Um belo dia cheguei e fiz uma baita de uma crítica no programa que eu apresentava, que é o Alerta Geral, pelo rádio (Hertz, de propriedade do prefeito), sobre o formato Expoagro que é uma luta que eu venho brigando há muitos e muitos anos. O prefeito não gostou, mandou que me afastasse. O diretor me ligou dizendo o que eles estavam fazendo. Eu falei “eu não sou homem de ser afastado, então me demitam”. Não aceitaram. Eu fui lá, falei assim: “se sair da rádio é para sair da prefeitura”.
Comércio - Qual área positiva o se-nhor destaca na atual gestão?
Bomba - O marketing, marketing muito bom! Rapaz do céu, nunca vi um marketing tão bom desse jeito, não é!
Comércio - Ronaldo Pereira, que é conselheiro do jornal, pediu ao senhor para definir em rápidas palavras cada um dos seus adversários na sucessão municipal.
Bomba - Todos são políticos, todos estão aí há muito tempo. E o que fizeram pra cidade? Essa que é a grande pergunta, né? Ubiali fez o que enquanto deputado? Mudou para Ribeirão? A Graciela é uma invenção da mídia, vamos ser francos? Porque a fama de delegada brava ela pegou da Iguacira e, como política, é só ver os projetos, né. O Alexandre Ferreira, “o salvador da pátria”... Fez o que? A saúde tá aí pra todo mundo ver. O PT vai falar o que pra vocês? A história agora de ser amigo do presidente, ser amigo do go-vernador, até hoje não trouxeram nada. Não tem nem aeroporto em Franca, nós não temos nem voos regulares em Franca, nós perdemos. O Hamilton Chiarelo é um trabalhador né, não tenho muito o que falar sobre ele. O Cassiano é o famoso “Rolando Lero”. Fala fácil, fala facinho, discurso maravilhoso, mas teve lá e também não fez.
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RAIO-X
Nome: Marcelo Teixeira
Idade: 45 anos
Estado civil: solteiro
Filhos: não tem
Nasceu em: São Paulo
Profissão: radialista
Cargos que ocupou: Repórter, narrador e comentarista de rádio. Foi sindicalista e presidente da Associação de Imprensa de Franca. Há sete anos é diretor da emissora Nova TV.
Religião: Católico
Esporte: Futebol
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