Tragédia em Portugal foi anunciada pelo Facebook


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Luciana Pinheiro Garcia Gioso e o filho Leonardo em foto que abria o perfil dela no Facebook
Luciana Pinheiro Garcia Gioso e o filho Leonardo em foto que abria o perfil dela no Facebook

Ana Catarina Prebill e Marco Felippe 

A tragédia envolvendo a dentista francana Luciana Pinheiro Garcia Gioso, 40, que morreu em um incêndio na última quarta-feira junto com os dois filhos, Leonardo 14 anos e Letícia, 12, na casa em que viviam em Castro Marim, Portugal, foi pré-anunciada pela rede social Facebook. Luciana já teria enviado mensagens a amigos falando que queria morrer depois de enviar os filhos para o Brasil. Dias antes, ela recebeu uma mensagem da mãe desejando força e a aconselhando a ter calma. Postagens de amigas também indicam que ela estava triste e que queria muito voltar a morar no Brasil.

Além disso, Luciana teria confessado ao marido, o também dentista brasileiro Márcio Gioso, seu desejo de morrer, porém, nunca havia falado da hipótese de também matar os filhos. Essa informação, segundo o jornalista Rui Pando Gomes, do Correio da Manhã, de Portugal, foi dada pelo viúvo em depoimento informal à polícia portuguesa. O depoimento formal deve ocorrer nos próximos dias.

Luciana e os filhos morreram vítimas do incêndio seguido de explosão no quarto onde dormiam. O marido dela não estava em casa na hora da tragédia. O incêndio aconteceu por volta das 10 horas local (6 horas no Brasil) e, segundo divulgou a imprensa portuguesa com base em informações da Polícia, Luciana teria provocado a sua morte e a dos filhos. Ela teria trancado o quarto onde estava com as crianças e jogado gasolina na cama e nos móveis e, na sequência, colocado fogo (ver quadro). Foram encontrados no quarto, ao lado dos corpos carbonizados, um recipiente com combustível e um isqueiro.

Os peritos portugueses também relataram que as crianças dormiam no momento, mas o menino teria acordado com o calor do fogo, gritado por socorro e tentado fugir pela porta de acesso à piscina. As informações têm base na posição em que os corpos foram encontrados dentro do cômodo. Durante os últimos dias também foi levantada a hipótese, não confirmada ainda por laudo, de que a mãe teria usado medicamentos para dopar os filhos.

As crianças dormiam em colchões no chão do quarto dos pais em razão de ser verão no país e aquele ser o único quarto do imóvel com ar condicionado. A emissão de gases do equipamento teria provocado a explosão.

De acordo com o que foi confirmado pela polícia portuguesa, parentes e por amigos do casal, inclusive no Facebook, Luciana sofria de forte depressão e estava em tratamento. O motivo seria o desejo de retornar para o Brasil e ficar mais próxima dos familiares. Os pais de Luciana moram em Cristais Paulista. A mãe dela, inclusive, postou depoimentos no Facebook incitando a família a voltar ao País.

O casal morava em Portugal havia 17 anos. Eles se conheceram em Franca e se mudaram para o país europeu para montar uma clínica odontológica. Os dois filhos nasceram lá, mas tinham dupla nacionalidade.

A DEPRESSÃO
Durante a semana, um dos irmãos de Luciana confirmou à reportagem do Comércio que ela teve depressão, pois tinha muita saudade da família e do Brasil. “Ela teve depressão porque sentia muita saudade. Queria ficar mais perto da família”, afirmou Igor Garcia. O marido dela, no entanto, não compartilharia desse desejo, segundo o jornal português.

Os Gioso passaram cerca de dez dias no Brasil no mês passado e registraram o passeio em várias fotos postadas no Facebook. As imagens mostram as crianças em um sítio de Cristais Paulista, onde moram os pais dela, andando a cavalo e Luciana em diversas poses e ao lado dos pais e da avó materna. Em um dos comentários, a mãe de Luciana escreveu sobre a vontade de tê-la por perto. O mesmo ocorreu nas fotos dos netos. Na da menina, a avó disse ter adorado os dias que passaram juntas e que rezava muito “para estarem o quanto antes se encontrando sempre”.

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