A poetisa Cora Coralina, em sua sabedoria popular, já dizia que “feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Para os professores que realmente têm vocação para o ensino, essa é a premissa que os governa, apesar de todas as dificuldades encontradas no percurso.
Chegar à universidade como docente para formar profissionais para o mercado de trabalho e para a pesquisa deveria ser a coroação da carreira no magistério.
Mas não é. O que ocorre é que a falta de perspectiva salarial, de formação continuada, de estrutura nas escolas e até mesmo do ponto de vista de status social a forma como a sociedade enxerga hoje os docentes interfere no desempenho e faz com que muitos profissionais de gabarito abandonem a carreira para desenvolver projetos em outros setores. A situação difícil é também compreendida pelos resultados de pesquisas internacionais.
Um estudo inédito que compara o salário de professores universitários de 28 países coloca o Brasil numa posição intermediária.
O salário dos docentes no topo da carreira no Canadá, na Itália e na África do Sul, por exemplo, é o dobro dos praticados no país.
Segundo a pesquisa do Centro Internacional de Ensino Superior da Boston College (Estados Unidos) e da Universidade Nacional de Pesquisa de Moscou (Rússia), dado o custo de vida das grandes cidades brasileiras São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as mais caras do mundo , os professores brasileiros não conseguem viver com conforto.
Se a pesquisa fosse comparar a situação nos ensinos fundamental e médio, o resultado seria ainda pior.
Tem outra constatação importante, no estudo: as universidades públicas são as que pagam maiores salários aos docentes.
São elas também as que concentram maior número de professores com dedicação integral. 91,6 mil dos 132 mil docentes exclusivos.
No entanto, no Brasil, não há competitividade. As universidades dos Estados Unidos e da China, por exemplo, podem contratar professores conforme desejarem, até mesmo estrangeiros, criando um clima benéfico para a universidade e, em contrapartida, para os alunos, que ganham em qualidade de ensino.
Está mais do que na hora de o poder público rever suas políticas educacionais e equacionar a questão do professor como uma prioridade, para que os estudantes não venham sofrer conseqüências do descaso com a educação.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente Executivo do CIEE e diretor da Fiesp
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