A psicóloga Rosely Sayão iniciou interessante artigo no caderno ‘Equilíbrio’, da Folha de S. Paulo, em 10 de julho, expressando contundente opinião sobre o que chama de ‘meninas que têm vida de mulheres’ e de ‘jovens que praticam o sexo adulto de forma infantil”: ‘De modo geral, não temos nos preocupado muito com a gravidez indesejada entre adolescentes.’
Disse que as famílias e as escolas são os grandes implicados na formação dos jovens, mas que preferem ignorar o assunto.
Também os meios de comunicação, especialmente os programa de TV, com destaque para as novelas, só têm feito por incentivar a prática de sexo irresponsável.
Cada vez mais cedo, crianças são convocadas e estimuladas a uma sexualidade desvirtuada e extemporânea.
Sem ainda possuir equilíbrio psíquico, cultural e informativo capaz de lhes garantir discernimento bastante, meninas são levadas à prática do que, por certo, consideram normal por saberem ter passado pelo ‘crivo’ dos pais, educadores e mentores da comunicação, o que lhes dá razão para considerarem ‘quadrados’ aqueles que não atendem aos apelos midiáticos.
Da gravidez inconsequente surgem as famílias desestruturadas e a separação dos cônjuges é quase sempre inevitável.
Na condição de psicóloga, esclarece-nos Rosely que, duas causas, em especial, levam ao cometimento sexual antes do tempo, além do apelo televisivo. Em primeiro lugar, pais têm dificuldade em conversar com os filhos sobre a questão.
Constrangedor, o tema inibe o diálogo que deveria ser franco e esclarecedor entre familiares. Em alguns casos, inversamente, pretextando uma igualdade inexistente, os pais tratam os filhos como seus iguais, apoiando-lhes a irresponsabilidade.
Outro motivo é que a escola quase sempre está preocupada no cumprimento estrito da grade curricular, da qual o tema está ausente, além de não sobrar nem disposição e nem tempo para abordá-lo, para o que, convenhamos, não há educador convenientemente preparado.
Considere-se que a gravidez inesperada e indesejada, pode, além de outros males psíquicos e sociológicos, levar adolescentes ao suicídio, quer por rejeição da família, quer por vergonha, quer, ainda, por distonias psicossomáticas, considerando-se que o sistema mente-corpo feminino só está maduro para a gravidez após a adolescência.
Trata-se, com efeito, de fatores predisponentes a um envelhecimento precoce do organismo feminino, cumprindo considerar-se também que o apressamento das etapas da maturação psicológica, que deveriam dar-se ao longo de anos, resulta em graves consequências para a jovem.
Qual a solução? São várias! E uma delas, sem dúvida, está em a família voltar ao salutar hábito do diálogo franco, retomar o cultivo das virtudes ensinadas pela religião, pela convivência sadia entre pais e filhos e, sobretudo, pelos saudáveis exemplos vivos que o tronco familiar deve aos seus descendentes.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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