A imprensa portuguesa noticiou ontem que a dentista francana Luciana Pinheiro Garcia Gioso, 40, que morreu na quarta-feira junto com os dois filhos, um casal de 14 e 12 anos, teria provocado a explosão em um dos quartos da casa em que moravam em Castro Marim, no sul de Portugal. O indício, segundo os jornais do país, foi levantado pela Polícia Judiciária de Faro (equivalente à Polícia Civil do Estado). O órgão, segundo as redes de notícias, revelou também que a mulher sofria de distúrbios psiquiátricos.
A explosão aconteceu na manhã de quarta-feira, por volta das 10 horas local (6 horas no Brasil), e teria sido precedida de um incêndio. Os corpos dos três foram encontrados carbonizados no quarto do casal, que estava com a porta fechada. O incêndio que destruiu parcialmente a casa teria sido provocado, segundo as investigações preliminares, com o uso de gasolina. Vizinhos teriam escutado gritos momentos antes. O marido, também brasileiro, não estava em casa na hora da explosão. O casal, segundo uma prima da dentista, se conheceu em Franca e se mudou para Portugal há 17 anos, na intenção de montar uma clínica odontológica.
Ontem amigos da dentista, que foi criada em Cristais Paulista, e um dos irmãos confirmaram o quadro de depressão de Luciana, mas disseram não acreditar que ela tenha causado o incêndio. “Ela não tinha motivos. Era uma mãe perfeita, uma esposa dedicada e uma dentista excelente. Acredito que ela não tenha feito isso. Ela não teria coragem”, disse uma amiga próxima de Luciana. As duas estudaram odontologia em Uberaba (MG) e se viam com frequência. “Estive com eles em abril. Fiquei dez dias na casa dela e não havia nada. No mês passado ela esteve no Brasil e veio me visitar. Estava tudo bem.”
Um dos irmãos de Luciana disse que a mãe está abalada e consternada com a repercussão do caso. “Não sabemos o que realmente ocorreu. É uma dor enorme perder três parentes de uma vez.” Embora não acredite que a dentista tenha posto fogo na casa, afirmou que a irmã teve depressão e sentia saudade do Brasil (leia texto nesta página).
A família da dentista, segundo a Agência Estado, discute com o marido a possibilidade de os corpos serem cremados em Portugal. As cinzas seriam então trazidas para Cristais. Um dos motivos para a decisão são os custos elevados do translado dos corpos, a situação em que se encontram - não seria possível serem velados em caixão aberto -, e a demora do processo de liberação e viagem.
INVESTIGAÇÃO
Ainda segundo informações da Polícia local, divulgadas pela imprensa portuguesa, a dentista estava em tratamento psicológico e já tinha ameaçado se matar. Ela teria inclusive confessado a amigos o desejo de, caso isso ocorresse, que os filhos fossem criados no Brasil. “A Polícia encontrou um recipiente com combustível na casa e descobriu que ela estava em grave depressão”, disse ontem, por telefone ao Comércio, o repórter português Rui Gomes do Correio da Manhã de Lisboa. “O marido está em casa de amigos e sendo acompanhado por psicólogos. Os corpos foram encaminhados para o gabinete médico legal do Hospital de Faro para autópsia, que confirmará a causa da morte.”
Colaborou Roberta Chagas, do Portal GCN
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