IBGE mostra mercado de trabalho estável em quatro regiões


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Fernanda Nunes da Agência Estado
 
O quadro geral do mercado de trabalho em julho em quatro regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de estabilidade, segundo o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento, Cimar Azeredo. Ele avalia que o reflexo de uma retomada do setor produtivo só poderá ser percebido nas próximas pesquisas, principalmente de agosto e setembro. Por enquanto, prevalece um quadro de variação da ocupação pouco significativa na comparação com o mês anterior: de 0,1% em São Paulo; -2,8% em Porto Alegre; -1,3% em Recife; e 0% em Belo Horizonte, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira. 
"O mercado se mostra estável, principalmente na região metropolitana de São Paulo. Nas próximas edições da PME teremos um clareamento do mercado. A resposta final, em julho, é que há queda da desocupação em quase todas as regiões, que não se reverteram em ocupação. Só nos próximos meses, principalmente agosto e setembro, teremos uma visão mais clara do que está acontecendo", disse Azeredo. 
De junho para julho, o rendimento médio real da população ocupada caiu em três regiões pesquisadas. A queda foi de 1,1% em São Paulo; de 1,8% em Belo Horizonte; e de 3,5% em Recife. Em Porto Alegre, o índice manteve-se estável. Puxaram a queda do rendimento os setores de serviços e militares ou funcionários públicos estatutários. 
O emprego com carteira de trabalho continua estável na comparação com o mês anterior, em três das quatro regiões pesquisadas. Em São Paulo, avançou 0,9% e em Belo Horizonte, 0,8%. Em Recife, caiu 0,4%, enquanto em Porto Alegre caiu 2,9%. Na região metropolitana de Porto Alegre, a ocupação na indústria também apresentou resultado negativo, de queda de 4,5% ante junho.
 
 
GREVE - A greve dos funcionários públicos prejudicou, principalmente, o processo de transmissão e de análise dos dados coletados sobre o mercado de trabalho, do que a realização de entrevistas para a composição da PME, segundo a diretora de Pesquisas do IBGEMarcia Quintslr. 
A pesquisa divulgada nesta quinta-feira traz um retrato incompleto do mercado de trabalho, sem os dados das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Salvador, o que impediu o cálculo de uma taxa média para o País em julho. No Rio de Janeiro, o IBGE chegou a realizar 56% das entrevistas e, em Salvador, 60%. 
Em junho, a pesquisa já havia sido prejudicada pela greve, que impediu a realização completa das entrevistas no Rio de Janeiro. Foram realizadas apenas 40% das entrevistas até a divulgação da PME de junho. Posteriormente, o porcentual avançou para 64%, segundo o IBGE. Ainda assim, o instituto considera o volume de entrevistas realizadas insuficiente para garantir uma análise de qualidade dos dados.
Para as pesquisas que utilizam as estatísticas de emprego em sua composição, como o Produto Interno Bruto (PIB), o IBGE irá utilizar outras fontes de informação complementares, que irão garantir a qualidade da divulgação, segundo Marcia.

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