A música e a cultura sertaneja nunca estiveram tão na moda como nos dias de hoje. Apesar de toda a tecnologia que conecta pessoas de todo o planeta e acabam acelerando o processo de globalização, a botina, as festas de peão e os chapéus continuam se impondo perante os modismos internacionais, principalmente na nossa região. Até mesmo o contrário já aconteceu, com o mundo todo se curvando a esse estilo. Quem não se lembra de uma música em particular que se transformou em um poderoso viral, contagiando desde jogadores milionários até soldados israelenses? “Culpa” do Michel Teló e do Aí se eu te pego!
O poder da cultura sertaneja moderna é tão grande que é capaz de atrair cerca de um milhão de pessoas para a Festa do Peão de Barretos, pelo menos é isso que a organização espera com as duas semanas de montaria e os shows dos maiores artistas desta modalidade na atualidade, como Luan Santana, por exemplo.
Agora pausa. Neste trecho do texto ao menos três linhas de pensamento distintas devem ter surgido na cabeça dos nossos amados e queridos leitores. O primeiro discorda de tudo por odiar esse tema. O segundo concorda com tudo, mas está confuso porque a foto não tem nada a ver com o que está escrito até o momento. E temos o terceiro tipo de pessoa, que deve estar borbulhando de raiva pois só citamos artistas da moda e nem nos preocupamos com as lendas do sertanejo.
E não se assustem, pois existem pessoas que levam a cultura sertaneja tão a sério que fazem coisas consideradas malucas hoje em dia. Como, por exemplo, subir em uma mula e cavalgar por mais de 130 quilômetros para chegar em uma festa. Sim, é exatamente isso que toda essa galera da foto vai fazer. E é com muito prazer que lhe apresentamos os Muladeiros da Madrugada.
Esse grupo existe há cerca de 8 anos, começou com cinco integrantes e hoje conta com 27 muleiros apaixonados, que realizam cavalgadas para vários lugares e participam de desfiles, tudo em cima de mulas, honrando os primeiros sertanejos. “Agora o lado sertanejo vem crescendo, cada vez mais e mais pessoas começam a andar de mula, pois antigamente elas preferiam o cavalo”, explica o presidente do grupo Júlio César Cintra dos Santos. “Essa tradição ficou muitos anos esquecida e a gente está resgatando toda a cultura do chapéu, botina, fivela argola de alpaca, moda de viola e outras coisas típicas do sertanejo tradicional”.
Todos os 27 integrantes caíram na estrada, ontem, pela manhã. Eles têm como destino a Festa do Peão de Barretos e pretendem chegar lá amanhã. “Já fizemos o caminho antes, de carro, para arranjar lugares para comer e dormir. Muita gente não gosta de receber a gente porque acham que faremos muita bagunça, mas a maioria do povo entende e aceita”, relata Júlio. Na cidade, eles se instalarão em uma chácara de um finado amigo, onde será realizado um encontro de violeiros vindos de diversos pontos do Brasil. “Voltaremos no domingo, de carro, e as mulas de caminhão. Segunda-feira o ‘batidão’ pega forte”, brinca Júlio, que é comerciante na cidade de Ibiraci.
“Uma coisa bacana é que aqui temos gente de várias idades que são das cidades da região, como Cássia, Cristais Paulista e Franca, por exemplo”, comenta Felipe Correia Chagas, vice-presidente. O mais jovem dos muleiros tem 11 anos de idade.
Mas, por quê? Por que ir de mula para Barretos ou Aparecida do Norte e levar dias para completar o trajeto que seria feito em poucas horas por um ônibus ou carro? “Da mesma forma que um motoqueiro gosta de andar de moto pelas trilhas, nós gostamos de montar e entrar no mato. No caso de Aparecida (do Norte) vamos por devoção. Em Barretos é diversão. O mais gostoso é ver todo mundo feliz e fazer novas amizades”, resume Júlio.
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