Ensino melhora, mas pouco


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Saiu mais um Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), uma avaliação criada pelo Ministério da Educação para medir a qualidade do ensino no ciclo básico, que se divide entre os ciclos fundamental e médio, os antigos níveis primário, ginasial e colegial.

Para variar, as coisas não mudaram muito. Existem avanços em alguns pontos e retrocessos em outros. Escolas que melhoram e outras que pioram. No final das contas, o que se percebe é a preponderância da média. A maioria de nossos alunos e nossas escolas está ali no meio, nem muito boa nem muito ruim, está na esfera do mais ou menos, o que com certeza não é muito bom para o futuro de nosso país.

Em Franca essa situação não é diferente. De forma geral, as escolas municipais alcançam e resvalam a média. Nesse último exame, experimentaram uma queda em seu rendimento. Se algumas se superaram, a maioria sucumbiu, diminuindo sua nota em relação àquela tirada na avaliação anterior.

A despeito dos investimentos cada vez mais significativos feitos na educação, em todos os níveis da federação, parece que os resultados não estão aparecendo na velocidade desejada. Nesse sentido, seria bom que parássemos um pouco para refletir os motivos dessa aparente estagnação.

Por um lado, é possível pensar que estamos exagerando demais nessas avaliações. Dentro desse raciocínio, estaríamos vivendo a chamada ‘lei da curvatura da vara’, ou seja, se no passado não tínhamos praticamente nenhuma avaliação para medir os resultados de nosso ensino, agora pressionamos a vara para o outro lado e enchemos os alunos de provas, que no fundo não medem muito mais do que o conteúdo decorado ou apreendido naquele momento específico, que em um próximo já pode ser diferente.

Por outro, o problema pode ser o destino dos investimentos. Talvez eles estejam sendo feitos de maneira equivocada, concentrados demasiadamente no setor administrativo, ou nas próprias avaliações, na reciclagem e treinamento de professores ou em equipamentos e estrutura de forma geral.

Pode ser, também, que a excessiva centralização administrativa de nossa educação esteja contribuindo para padronizar e engessar exageradamente o ensino em termos de qualidade. Limitadas pelas imposições que vêm das esferas administrativas superiores, as escolas talvez não estejam utilizando todo o potencial e criatividade de seus professores.

Mas pode ser também que o problema esteja na baixa autoestima dos professores, os principais responsáveis pela operacionalização do ensino. Instados a dar o máximo possível de aulas para poder compor um salário minimamente razoável, esses docentes não conseguem se fixar e nem se dedicar a uma única escola.

Em função disso, não abraçam como deveriam sua função de articulador desse ensino na forma como demanda o mundo moderno. E mesmo com todo esse empenho, como dizia o personagem de Chico Anísio, o professor Raimundo, o salário é desse tamanhinho.

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