Gabriel Perline - da Agência Estado
Apagam-se as luzes do estúdio. Ele deixa o palco arrumando o terno e recebendo elogios da equipe de produção. Cumprimenta o repórter e promete: “Vou falar coisas que nunca disse a ninguém.” Roberto Justus, de volta à Record após dois anos no SBT, não esconde a felicidade em realizar o sonho de comandar um talk show, Roberto Justus +. É nele que o empresário, apresentador e cantor recebe seus convidados e debate temas variados. “Era isso que eu queria fazer na TV. Virou uma paixão.”
Durante a entrevista, Justus fez um retrospecto de sua carreira televisiva e se orgulha do talk show que, para ele, inspirou a Globo na produção do Na Moral, apresentado por Pedro Bial. “Comecei em 2004 com O Aprendiz e peguei gosto. Sempre falei que não me considero nem melhor e nem pior que ninguém, me considero diferente, tenho meu estilo. Passou essa fase e fiquei dois anos fazendo game show. Experiência riquíssima. Depois veio o velho sonho de fazer um programa onde eu pudesse exercitar os meus conhecimentos e o meu estilo. Foi tão bem sucedido que a Rede Globo copiou esse programa para o Pedro Bial. Ninguém fala sobre isso, todo mundo diz que a Record copia. Não acho ruim, acho bárbaro.” E continua: “O Bial é um talento, o programa dele está maravilhoso. Tem uma pegada diferente no estúdio, mas o programa em si é a mesma coisa.”
A ida ao SBT se deu por estar cansado do Aprendiz. “Não queria me eternizar fazendo este tipo de programa. Seis anos. Chega!” Ele negociou uma nova atração na Record, mas a contratação de Gugu atrapalhou os planos.
Sua passagem pelo SBT causou muitas especulações. Na época, o grupo enfrentou uma de suas maiores crises com a venda do banco Pan-Americano, vítima de uma fraude contábil bilionária, e ficou sob a mira de investidores que estavam dispostos a comprar o canal e colocar Justus na figura do novo Silvio Santos. “Não iria comprar o SBT. Isso é uma bobagem muito grande que acabou me atrapalhando e gerou uma ciumeira danada lá. A emissora tem dono, tem sucessão, tem filhas, tem diretores. O que aconteceu, de fato, foi que um ou dois fundos ligados a investimentos de mídia estavam interessados e me procuraram.”Segundo Justus, os investidores colocariam dinheiro para a compra da emissora se ele estivesse à frente do projeto.
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