Estudar para quê?


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Cada corrente pedagógica tem sua própria visão para melhoria do ensino. Todo novo governo apresenta uma política adequada para condução da educação. No entanto, a realidade se faz presente e é uma só: entra ano, sai ano e o índice de aproveitamento dos estudantes está sempre em queda livre. Nada consegue melhorar a qualidade educacional.

A prova da mediocridade está no resultado do último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado pelo MEC (Ministério da Educação, o ‘C’ permaneceu na sigla porque era da Cultura também) na semana passada. Os números apontam mínima melhoria apenas nas séries iniciais do ensino básico.

O índice de aproveitamento se apresenta muito baixo. As melhores notas estão na média, ou até mesmo, abaixo dela. Basta considerar a escala de 0 a 10. Uma boa nota deve ser acima de 7. Pontuação mediana fica entre 5 e 7. Menos que isso seria bomba. Epa! Palavra mais demodê. O politicamente correto manda dizer ‘retenção na mesma série’.

Só que a política educacional deixou de reter o aluno. Pela progressão continuada, o estudante entra na escola fundamental e acaba na faculdade, sem necessitar provar aprendizagem alguma. É só frequentar as aulas. Ou nem isso. Ultimamente a escola anda promovendo de ano até aluno que não comparece às aulas regularmente.

Com uma legislação dessas, estudar para quê? Tudo na vida funciona na base da recompensa. Quem é que vai se esforçar para conseguir alguma coisa, se sabe que alcança o objetivo (certificado ou diploma) sem fazer nada? Nos dias de hoje, na medida do possível, a criança tem suas necessidades satisfeitas. Mas crescer significa encontrar dificuldades pela frente e arrumar meios para vencer os obstáculos. A família permite tudo, em nome de não provocar traumas, o que esperar do futuro aprendiz fora de casa? Na certa, não terá vontade nenhuma de aprender. Aliás, se não vê ninguém à sua volta querendo isso, como então ganhar gosto pela instrução?

Depois, na escola, a criança vai percebendo que tanto faz estudar, como não estudar. No fim, ninguém repete a série escolar. Entra no primeiro ano e pronto. O nono já está garantido. Mais ainda. Ganha o direito de matrícula na 1ª série do ensino médio na escola mais perto de sua casa. Decorridos três anos de faz de conta que estuda, a universidade abre as portas.

Até agora, programas de bolsas oficiais garantiam a gratuidade total ou parcial do curso superior nas faculdades privadas. Daqui para frente, por decreto, as instituições universitárias públicas garantem metade das vagas para o aluno que vem da rede municipal ou estadual.

Tudo muito fácil. A família não cobra. A escola não reprova. A empresa não tem mão-de-obra qualificada para contratar. E ainda tem gente querendo saber o porque da mendicância, da criminalidade, da falta de segurança etc.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br

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