A pirataria, a TV a cabo e a internet quase mataram as videolocadoras brasileiras, que tiveram a sua era de ouro na década de 90, com a febre das VHS, e no começo dos anos 2000 com os DVDs.
Em Franca, não foi diferente. Muitas fecharam as portas, mas boa parte delas se reinventou para permanecer no mercado, passando a oferecer outros serviços, como bomboniere e lan houses, entre outros. Foi o caso da Atlanta Vídeo e Games, de Adilson Aparecido da Rocha. Com o volume de locações caindo pela metade em relação ao ano passado, Adilson manteve sua loja com variação de serviços. “Atualmente, as locações só são responsáveis por 10% dos meus rendimentos. Quando abri a loja, em 96, as locações correspondiam a 70%.” Adilson diz que vai diminuir gradativamente o número de filmes em seu acervo, no momento em torno de 7.000 unidades nas duas lojas, para abrir espaço para outros serviços.
A situação de Ana Paula Soares dos Santos, dona da Mega Star, é ainda pior: sua loja perdeu 80% nas locações em comparação com 2011. “Eu chegava a comprar de 60 a 70 títulos por mês. Hoje, compro de três a cinco apenas.” Para complementar a renda, ela acrescentou há cerca de dois anos uma lan house e videogames de última geração, mas afirma que a maior parte da sua renda ainda provém das locações.
Os dois donos de videolocadoras apontaram a pirataria como o pior de seus males “Tem filmes que nem saíram dos cinemas e já estão sendo vendidos em versão pirata”, queixa-se Adilson. “Só aqui perto, tem três bancas de jornal que vendem filmes piratas. Já até chamei a polícia. Eu trabalho só com original, então eu pretendo vender o meu negócio, se aparecer interessado”, diz Ana Paula.
Mas nem todas as videolocadoras da cidade estão perto do vermelho. A Gramophone Vídeo, que tem um dos maiores acervo de Franca, teve uma diminuição de 50% nas locações de dez anos para cá, mas a situação se estabilizou desde 2011, segundo a gerente Silvana Gomes. Já Rubens de Medeiros, dono da Point Vídeo Locadora, disse que a locação de filmes na loja teve até um aumento de 7 a 8% neste ano.
A salvação das duas empresas atende pelo nome de blu-ray. A nova tecnologia, que é mais durável, armazena mais dados e apresenta uma imagem e som superior ao dos DVDs, tem sido cada vez mais procurada pelos clientes das duas videolocadoras, apesar da sua locação ser mais cara do que a do disco digital. Além disso, a versão pirata do blu-ray ainda não se disseminou no Brasil.
“O negócio estava ruim no ano passado, mas com o barateamento das TVs de alta definição e dos aparelhos de blu-ray, o francano tem se interessado mais por esse formato”, diz Medeiros. “Nos dias úteis chegamos a locar de sete a dez blu-rays por dia, e cerca de 70 entre sábado e domingo”, afirma Silvana, da Gramophone.
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