O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou nesta sexta-feira uma investigação oficial sobre as “chocantes” mortes de 34 trabalhadores em um tiroteio com a polícia sul-africana, em uma mina de platina controlada pela empresa Lonmin Plc. As mortes ocorreram em vários confrontos durante esta semana, embora a maioria tenha acontecido em um tumulto confuso na quinta-feira. A mina fica a 60 quilômetros de Johannesburgo, maior cidade e centro industrial e financeiro da África do Sul.
“Nós temos que descobrir a verdade sobre o que aconteceu lá. A esse respeito, eu decidi instituir uma comissão investigadora. A investigação nos permitirá descobrirmos a verdadeira causa do incidente e também aprendermos as lições necessárias com ele”, disse Zuma.
Os distúrbios na mina começaram em 10 de agosto, quando 3 mil mineiros pararam de trabalhar. No domingo, dois guardas foram mortos pela multidão, que colocou fogo em seu carro. Na segunda-feira, os manifestantes mataram outros dois trabalhadores e dois policiais. Os oficiais responderam e mataram três grevistas.
Nesta sexta-feira, as mulheres e mães dos mineiros tomaram os lugares dos maridos e filhos nas manifestações. Mas ao invés de pedirem aumentos nos salários, pediram a punição dos policiais que dispararam contra os mineiros e mataram os 34 trabalhadores. “Polícia, pare de atirar nos nossos maridos e filhos”, diziam as faixas seguradas pelas mulheres. A polícia sul-africana afirmou que agiu em legítima defesa e disse que os mineiros tinham uma pistola que tomaram de um guarda morto na segunda-feira. Mas as imagens da quinta-feira mostraram policiais disparando gás lacrimogêneo na multidão e depois foi escutado o barulho de tiros.
A polícia abriu fogo contra manifestantes armados na quinta-feira. A mina de platina fica perto da cidade de Rustenburg. “Isso é inaceitável no nosso país, que é um país onde todos se sentem confortáveis. Um país que tem uma democracia que todo mundo inveja”, disse Zuma à Agência France Presse (AFP).
“Por isso, foi uma coisa chocante. Não sabemos de onde isso veio mas temos que investigar”, afirmou o mandatário. Após o número de mortos ficar claro nesta sexta-feira, Zuma cancelou uma visita oficial que faria a Moçambique para uma cúpula da África Austral e foi à mina de Marikana, onde conversou com policiais e autoridades. Mais tarde, ele deverá visitar alguns dos 78 feridos que foram levados a hospitais vizinhos.
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