Rafael Moraes Moura-da Agência Estado
Integrantes dos movimentos dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), do Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e de Libertação dos Sem-Terra (MLST) atacaram nesta sexta veículos de autoridades alagoanas que se dirigiam a uma nova unidade da fábrica da Braskem, onde houve cerimônia com a presidente Dilma Rousseff. Os manifestantes obstruíram uma das principais rodovias de acesso à fábrica, localizada no município de Marechal Deodoro, a 30 quilômetros de Maceió. Com a intervenção da Polícia Militar do Estado de Alagoas, que atirou bombas de efeito moral, os sem-terra foram para cima dos veículos com paus, pedras e chutes
Segundo o Grupo Estado apurou, pelo menos quatro veículos foram danificados - um de uma equipe de um jornal local, dois do governo de Alagoas e o veículo oficial do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), desembargador Sebastião Costa Filho. A PM diz que não houve feridos. “Foi um ato consciente de total falta de respeito às autoridades. Ninguém está se colocando contra os direitos deles de reivindicação”, criticou a vice-presidente do TJ-AL, desembargadora Nelma Torres Padilha, que estava no mesmo carro de Costa Filho.
A cerimônia de inauguração da fábrica foi fechada para convidados e imprensa. Como a presidente chegou e saiu do local do evento de helicóptero, acabou evitando o confronto direto com os sem-terra. “A gente não consegue entender o objetivo deles, se é reivindicar ou criar caos. A partir do momento em que foram cessadas todas as chances de negociação pacífica, eles começaram a atacar os carros”, afirmou o comandante do policiamento de Maceió e região metropolitana, coronel Gilmar Batinga. “Não estavam ali pra uma manifestação pacífica, de criar caos. Na opinião nossa, todo mundo tem o direito de reivindicar, mas não pode tirar os direitos dos outros, de ir e vir.”
Perto da região, também houve protestos de servidores federais em greve. Panfleto distribuído por docentes da Universidade Federal de Alagoas diz que “Dilma parou o Brasil”, “foi eleita prometendo priorizar a educação e a saúde pública e agora o que vemos é mais sucateamento e privilégios para os grandes capitalistas”.
“O governo está inflexível nas negociações, passando para a opinião pública a impressão de que a proposta (de reajuste) atende aos interesses dos professores”, criticou a professora de biblioteconomia, Dalgiza Andrade. Assim como os sem-terra, os servidores foram impedidos de chegar perto da entrada da fábrica.
FÁBRICA - A nova unidade de PVC da Braskem custou R$ 1 bilhão e é o maior investimento da empresa em um único projeto, desde a sua fundação. Ela terá capacidade produtiva de 200 mil toneladas de PVC por ano. A obra consumiu 30 mil metros cúbicos de concreto, 3 mil toneladas de tubulação e cerca de 800 quilômetros de cabos.
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