É isso mesmo compadre!


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Não há diálogo sem troca de idéias. É ela que alimenta, estimula e justifica o diálogo. Contudo, nem sempre isso é possível.

É impossível quando um dos interlocutores discorda de tudo e de todos. Seu prazer é contrariar, contradizer, teimar, enfim, o que ele quer mesmo é impor suas idéias.

O diálogo também é impossível quando o interlocutor concorda com tudo. Vira monólogo: só um fala e o outro escuta e aplaude.

Loló, compadre do meu pai, era uma pessoa educada, cordial, comunicativa e pacífica. É certo que gostava de uma demanda judicial. Gostava também de uma boa prosa, mas, neste caso, ele não discordava de nada.

Nas conversas que ele mantinha com meu pai, sua atitude era sempre a mesma. Meu pai falava e o compadre Loló concordava. Na prosa entre os dois, as frases do compadre eram sempre:

– É isso mesmo , compadre.

– O Sr. está com a razão.

– Não há dúvidas, o Sr. está correto.”

E as conversas prolongavam-se sempre com um falando e o outro concordando.

Certa feita, compadre Loló interrompeu meu pai e, com muita educação, disse:

– Permita-me, compadre, discordar de sua opinião.

Meu pai, surpreso e admirado, sorriu internamente e pensou consigo mesmo:

– É hoje. Até que enfim vou saber a posição do compadre.

E mais do que depressa, incentivou o amigo:

– Vamos lá compadre. Diga o que você pensa.

Compadre Loló, com uma voz solene, falou:

– Discordo totalmente. Nesta questão, o Sr. não só está certo. O Sr. está mais do que certo. O Sr. está certíssimo. O Sr. está coberto de toda razão.

E assim encerrou-se aquilo que poderia ser um proveitoso diálogo.

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