O difícil passaporte


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Parece mentira, mas quase ao mesmo tempo em que a Nasa consegue pousar com sucesso um veículo robótico na superfície do planeta Marte, utilizando-se de uma combinação de procedimentos ainda inéditos, um francano que deseja viajar ao exterior precisa viajar durante duas horas até a cidade de Uberaba, se não quiser esperar cerca de dois meses para conseguir marcar um horário em Ribeirão Preto.

A comparação pode até parecer descabida, mas nada como um bom exagero para enfatizar o problema. Em um mundo no qual as fronteiras estão cada vez mais diluídas pelas modernas tecnologias de comunicação e transporte e onde as pessoas se encontram cada vez mais na virtualidade da internet e na internacionalização da economia de consumo, fica difícil entender o motivo dessa longa e incômoda espera.

Entende-se, obviamente, que o trabalho de emissão desses documentos obedece à regra natural da demanda. Quanto mais pessoas procuram pelo passaporte em um mesmo período, maior será o tempo que elas terão que esperar para obtê-lo, já que não é possível aumentar o número de funcionários ou de equipamentos uma hora para outra.

Assim, é bastante compreensível que nesse momento de euforia da economia brasileira, aliado ao recente período de férias escolares, as coisas tenham realmente se complicado para as Delegacias da Polícia Federal, setores responsáveis pela emissão de tais documentos. Nesse período, geralmente se intensificam as viagens de lazer e os intercâmbios estudantis, sem contar as viagens de negócios que continuam em plena expansão.

Apesar de compreensível, no entanto, esse problema não é necessariamente aceitável, o que permite um mínimo de ponderação. Mesmo considerando essa questão da sazonalidade, é de se esperar que com tanta tecnologia disponível algo possa ser feito para acelerar esse processo, como vários procedimentos que já foram utilizados por outras repartições públicas e que melhoraram bastante a qualidade do atendimento aos cidadãos brasileiros que delas precisaram.

Além disso, há a questão do planejamento estratégico e gerencial. Se de todo não elimina o problema da sazonalidade, pode ao menos minimizá-lo. Afinal, o mundo já passou por uma explosão populacional e o engenho e a criatividade humana foram capazes de atender a todas as pessoas, desde as necessidades mais básicas até os mais exigentes desejos, aprimorando e intensificando cada vez mais a produção de bens e serviços, a despeito das desigualdades que ainda persistem em boa parte do planeta.

Nesse sentido, é de se esperar que a Polícia Federal também se atualize em termos de tecnologia e de planejamento. Ou, se for o caso, que contrate mais pessoas e abra mais delegacias, sobretudo em cidades do porte de Franca, que já ultrapassaram os 300 mil habitantes.

O que não dá é esperar dois meses ou viajar cerca 300 km para conseguir um passaporte.

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