Após anunciar uma possível paralisação de serviços a novos pacientes, a Santa Casa recuou e afirmou que seguirá normalmente com o atendimento à população. A informação foi dada na tarde de ontem, durante entrevista coletiva com os diretores da Fundação, que afirmaram que o Governo do Estado liberou, através de medida emergencial, R$ 3 milhões para que o complexo hospitalar não interrompa as internações de pacientes. “O Governo do Estado apontou para uma solução emergencial e uma solução definitiva. Suspendemos a paralisação porque o dinheiro chega na semana que vem”, disse o superintendente do hospital, Fernando Bueno.
De acordo com Bueno, a quantia bancará os gastos da Santa Casa pelas próximas duas semanas. Os R$ 3 milhões que serão repassados à Fundação suprem parte dos R$ 10 milhões que a diretoria apontava como necessidade imediata para a manutenção dos serviços.
Juntamente com o anúncio do repasse emergencial, o Governo do Estado também prometeu uma reunião com a direção da Santa Casa na semana que vem para a renegociação do contrato geral e a possível cobertura do prejuízo mensal da Fundação, que atualmente gira em torno de R$ 2,6 milhões.
“Pela primeira vez estamos tendo uma conversa mais madura tecnicamente com o Estado. As negociações vêm desde fevereiro deste ano, com o auxílio do deputado estadual Gilson de Souza (DEM). Possivelmente vão mudar algumas configurações (no contrato). Mas o Estado vai mandar o recurso mínimo necessário para que o hospital funcione sem prejuízo”, disse Bueno.
O superintendente, no entanto, garante que a verba não será repassada integralmente pelo Estado. “Suponhamos que a Santa Casa precise dos R$ 2,6 milhões. Se a Prefeitura de Franca repassa R$ 600 mil, o Estado entra com o restante, o que é o mais justo, inclusive, porque os municípios também precisam contribuir com uma parte desse dinheiro.”
CONTRAPARTIDA
A eventual ampliação dos recursos repassados mensalmente pelo município e o Estado poderá ficar condicionada a uma contrapartida da Santa Casa e mexer num tema tradicionalmente mantido em sigilo nos corredores do hospital: monitoramento dos gastos.
Desde o dia 8, está na mesa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) uma proposta apresentada pelo município para zerar o déficit mensal anunciado pela direção em R$ 2,5 milhões.
O Comércio teve acesso à proposta em análise. A Prefeitura repassaria todos os meses R$ 500 mil e o Estado R$ 1,5 milhão. Já o hospital teria de fazer uma economia de R$ 400 mil a R$ 500 mil.
Não é só. Os recursos só seriam liberados se o município puder fazer o acompanhamento mensal da contabilidade e dos gastos da Santa Casa. “Quem põe dinheiro tem o dever de acompanhar a aplicação”, disse uma fonte com livre trânsito ao Gabinete do prefeito.
Colaborou Edson Arantes
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