Catinga invade casas na região do Distrito; Cetesb pretende averiguar


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Urubus são vistos nas instalações do frigorífico do Distrito Industrial. Para moradores, local gera cheiro ruim nas residências; diretor do estabelecimento nega
Urubus são vistos nas instalações do frigorífico do Distrito Industrial. Para moradores, local gera cheiro ruim nas residências; diretor do estabelecimento nega

Um cheiro forte comparado pelos moradores a excrementos de galinha, alimentos podres e até carniça têm incomodado a população de bairros próximos ao Distrito Industrial. Segundo eles, o odor invade as casas praticamente todos os dias e é mais comum no fim da tarde. Os moradores acreditam que o cheiro tenha origem no Frigorífico Franca Boi, que opera naquela região da cidade. “Quando mexem no matadouro, acho que na hora da limpeza, vem um fedor que ninguém suporta. É cheiro de merda mesmo, ninguém aguenta”, disse a dona de casa Márcia Nascimento, 50, do Parque das Esmeraldas.

A dona de casa Eliene de Carvalho, 50, mora no mesmo bairro com o marido, dois filhos e a neta de dois anos e sofre com o forte odor. “É um cheiro bastante forte que vem do frigorífico, é um cheiro de coisa podre, igual de bosta de galinha. Denunciei na Cetesb e Prefeitura há cerca de um ano, mas não resolveu”, disse ela.

Eliene disse que o cheiro é mais intenso ao entardecer, por volta das 18 horas. Para amenizá-lo, a família costuma fechar portas e janelas da residência e espirrar desodorizadores de ambientes nos cômodos. “A gente tenta deixar o ambiente mais agradável, mas nem sempre consegue e fica obrigado a conviver com essa podridão.”

Os moradores disseram que o cheiro é diferente do gerado pelo sistema de tratamento dos curtumes, também localizado no Distrito Industrial e alvo de constantes reclamações. Os vizinhos comparam o fedor dos curtumes com cheiro de ovo podre e o que seria gerado no frigorífico com fezes de galinha.

A dona de casa Vânia Aparecida Silva, 39, mora há nove meses com a família no Residencial Quinta do Café, e se sente incomodada todos os dias com o problema. “Na hora que estou fazendo janta vem um cheiro insuportável. A gente sai lá fora e parece que tem alguma coisa morta, cheira carniça. Acho que vem dos curtumes e do matadouro”, disse ela, que se queixa do odor lhe provocar dores de cabeça e náuseas.

A doméstica aposentada Vera Lúcia da Silva, 54, já interrompeu as refeições por causa do ar fedido. “Já joguei muitos pratos de comida fora porque senti o cheiro de coisa podre na hora que estava comendo.” A filha dela, a cantora Júlia Ribeiro, 27, pede mais atenção das empresas. “As pessoas que mexem com couro e o matadouro devem ter consciência, porque tem um monte de casa aqui perto.”

O diretor do Frigorífico Franca Boi nega que o fedor seja originado no local. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) de Franca promete inspecionar a empresa para verificar os procedimentos. “Não temos reclamações recentes registradas sobre o matadouro, mas iremos reavaliar o local para saber se há problemas”, disse Vera Barillari, agente credenciada da Cetesb de Franca.
 

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