O Chile


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Acalentava, já de algum tempo, vontade de conhecer o Chile. Sempre ouvi de pessoas amigas que lá estiveram, que aquele país é o mais politizado da América do Sul e tem baixos índices de criminalidade.

Ademais, o Chile teve destacado papel durante o regime militar brasileiro de 1964. Vários expoentes da atual política brasileira lá se refugiaram, dentre eles Fernando Henrique Cardoso e José Serra.

Assim, nas últimas férias, fui em companhia de minha esposa e de um casal amigo, Elmo e Ana Maria Roloff. Já na nossa chegada em Santiago, deparamo-nos com protesto de estudantes reivindicando ensino superior gratuito.

Vários veículos depredados e outros queimados, verdadeiro caos na principal praça da capital. Soube depois, de um taxista, que até nas universidades públicas o ensino é pago. Apenas os melhores alunos recebem bolsas. Assim, reivindicação por ensino gratuito em todos os níveis é antiga e recorrente.

O salário mínimo corresponde a aproximadamente 400 dólares, portanto, superior ao brasileiro. O problema é que o custo de vida é altíssimo, o que torna o salário insuficiente. O preço do óleo diesel equipara-se ao do Brasil, mas a gasolina é, aproximadamente, 20% mais cara.

No plano econômico, o cobre e a indústria de pescados são os maiores ativos, vindo na sequência, a agricultura e o turismo. Um real equivale a duzentos e dez pesos chileno; um dólar, a quatrocentos e setenta pesos.

O surpreendente é que a frota de veículos, de uma maneira geral, é nova, muito embora não haja produção de automóveis no país.

Na gastronomia destacam-se os frutos do mar e, principalmente, o vinho. São várias as vinícolas, mas, a principal, é a ‘Concha & Toro’, fundada em 1883 e uma das maiores do planeta, com filiais nos Estados Unidos e França.

Trata-se de empresa de capital aberto. Seu vinho mais comercializado é o ‘Casillero Del Diablo’ e o mais apreciado e mais caro, o ‘Alma Viva’. A unidade de Santiago permite visitação e degustação.

Se os vinhos são ótimos e de bons preços, o mesmo não se pode dizer da cerveja. Ela é cara e foge um pouco do padrão brasileiro. Experimentei as três principais marcas e, confesso, não gostei.

Quanto ao povo, de uma maneira geral é alegre e cordial com os brasileiros, até porque somos nós os visitantes que mais estão por lá. O Chile, desenganadamente, necessita do turismo como fonte de receita e de empregos.

O ponto alto do passeio foi, sem dúvida, conhecer a Catedral de Santiago. Possui uma extraordinária galeria de telas com motivos religiosos.

Também no sul do país, região dos Lagos Andinos, encontrei várias opções de lazer, notadamente no período do inverno. A região sul sofreu forte influência do povo europeu, especialmente do alemão. Sem qualquer dúvida, o Chile deve ser incluído no roteiro de passeios de todos. Além das belezas naturais, reserva surpresas agradáveis de sua gente.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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