O novo pronto-socorro


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Há algumas semanas discutimos nesse mesmo espaço que a inauguração do novo pronto-socorro talvez tenha sido um pouco apressada.

Nesse sentido, o que era para ser novo já nasce com jeitão de velho e conhecido. Apesar da nova roupagem, mais ampla, bonita e agradável, aos poucos a população vai percebendo que o novo se resume à aparência, repetindo por dentro os mesmos problemas e transtornos do antigo. É claro que não se discute aqui a necessidade ou até mesmo a urgência desse novo espaço. Não é novidade para ninguém que a saúde pública brasileira, assim como a francana, precisam urgentemente de mais recursos, hospitais, equipamentos e funcionários para movimentar tudo isso.

O problema é que toda a ação carrega imediatamente uma reação. Se em um primeiro momento houve aplausos e aprovação por parte da população francana, menos de um mês após a inauguração já é possível perceber protestos e decepção.

Reportagem publicada pelo Comércio na última sexta-feira, 10/08, mostra que os pacientes estão esperando em média quatro horas para serem atendidos. A falta de médicos, que já era uma realidade antes desse novo Pronto Socorro, agora parece ter se agravado, pois se ampliaram os espaços para o atendimento à população, mas não se aumentou o número de funcionários na proporção exata do que deveria ser feito.

Dentro do raciocínio político-eleitoral do atual governo, essa inauguração pode até ter causado um efeito benéfico, uma vez que obras importantes são sempre bem vindas e mostra, também, o esforço que a administração fez para cumprir antiga reivindicação do francano. No entanto, a julgar pela rapidez e volume com que os problemas estão surgindo, é também de se pensar que essa inauguração pode se transformar em uma grande dor de cabeça.

Para além do proveito que os adversários políticos do governo atual poderão tirar em suas respectivas campanhas, criticando a falta de condições de funcionamento do pronto-socorro, também é possível que o desgaste experimentado pela população no cotidiano do Pronto Socorro venha a minar o rescaldo positivo que possa ter ficado nas mentes daqueles que aprovaram a inauguração.

Por essas razões é importante refletir sobre essa prática ancestral da política brasileira. É fundamental que se avalie até onde vale a pena insistir em inaugurações apressadas, principalmente em áreas tão delicadas, e que não conseguirão posteriormente atender aos interesses da população na velocidade e qualidade que ela espera.

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