Brasil tem centenas de manifestações folclóricas


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É só falar em folclore e nos vêm à cabeça as lendas, festas populares, comidas regionais, objetos produzidos por artesãos, danças típicas e brincadeiras infantis.Tudo isso é folclore? A resposta é afirmativa. Porque folclore é o conjunto de todas as tradições de um país. Ele é percebido nas histórias contadas de pais a filhos; no artesanato produzido a partir de um gosto popular transferido de geração a geração; na alimentação que busca nas receitas de cada região do país resíduos antigos de elaboração; na religiosidade e nas vestimentas de um povo, de uma nação.

Tudo o que é preservado pela tradição popular é fato folclórico. Estas duas palavras, preservado e tradição, podem traduzir a importância da memória no folclore. Não deixando que histórias, festas, receitas, habilidades manuais e passos de danças sejam esquecidos, o povo garante as lembranças de um tempo anterior onde o conceito de comunidade foi se formando. Folclore tem a ver com tradição, lembranças, empenho em não deixar que as manifestações desapareçam da vida das pessoas.

Mas isso não significa que os brasileiros do Sul conheçam o folclore do Norte ou que os do Nordeste saibam quais são as manifestações do Sudeste. Uma criança amazonense saberá apreciar o sabor de uma caldeirada de tucunaré, contar a lenda do Uirapuru, reconhecer o valor de um pote de cerâmica marajoara, quais são os elementos da festa Círio de Nazaré, e até dançar o Boi-Bumbá. Mas talvez não conheça o gosto do chimarrão, as peripécias do Negrinho do Pastoreio, a dança chiarrita, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes que são do domínio das crianças gaúchas.

O Brasil é um país enorme. Suas dimensões são continentais. Há várias regiões que se diferenciam em sua maneira de viver. Isso se reflete nas manifestações folclóricas. Nós vivemos em Franca, que é cidade do Estado de São Paulo, por sua vez localizado na região Sudeste. Por aqui gostamos de tutu de feijão, linguiça, feijoada. Contamos com uma pontinha de medo a história do

Saci-Pererê e da Mula-sem-Cabeça. Apreciamos as colchas de fuxico, pedaços de retalhos unidos franzidos por linha e depois emendados até formar um grande pano de cobrir a cama. Aplaudimos as Cavalhadas e a Folia de Reis. Tudo isso é folclore.

Ao lado você pode encontrar as principais manifestações folclóricas de cada região. Elas nos dão uma ideia da razão pela qual o Brasil tem um dos folclores mais ricos do mundo. É que ele se formou ao longo dos séculos, com a contribuição dos índios, dos brancos e dos negros. Cada um desses grupos trouxe a sua informação, o seu conhecimento, a sua história, a sua cultura. Misturados, passaram a formar o que chamamos Folclore do Brasil. O folclore é parte do que chamamos identidade. Ele nos singulariza, nos torna diferentes de outros povos. Conhecendo o folclore de um País, podemos compreender seu povo.

A palavra folclore tem sua própria história. Ela foi criada por um pesquisador da cultura popular europeia. Ele se chamava William John Thoms (1803-1885). Reuniu o termo “folk”, que significa “povo” , em inglês, a outro termo,” lore”, que quer dizer “conhecimento popular”. Folklore = Conhecimento popular. William John Thoms publicou no dia 22 de agosto de 1846, numa revista inglesa, um artigo sobre o assunto. Nele usou pela primeira vez a palavra que havia criado. Por isso, comemoramos em 22 de agosto o Dia do Folclore.


O folclore de cada região
Danças, festas, músicas, lendas, comidas e bebidas são elementos do folclore de um País. No Brasil, país de dimensões gigantescas, as manifestações são inúmeras, e revelam influências indígena, portuguesa e negra.


Região Sudeste

Danças:
fandango, catira e batuque.

Festas:
cavalhadas, folias de reis, festas juninas

Lendas:
Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Iara.

Pratos:
tutu de feijão, feijoada, carne de porco, farofa

Artesanato:
trabalhos em fuxico, em cerâmica, colchas, bordados


Região Centro-Oeste

Danças:
congada, reisado, cururu e tambor .

Festas:
cavalhadas, touradas, festas juninas.

Lendas:
Pé-de-garrafa, Saci-Pererê, Romãozinho.

Pratos:
arroz de pequi, mandioca, peixes


Região Norte

Danças:
marujada, carimbó, boi-bumbá, ciranda.

Festas:
Círio de Nazaré (Belém), festas indígenas.

Artesanato:
cerâmica marajoara, máscaras indígenas, artigos feitos em palha.

Lendas:
Curupira, Vitória-Régia, Uirapuru, Boto

Pratos:
caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, pato no tucupi


Região Nordeste

Danças:
frevo, bumba-meu-boi, maracatu, baião, capoeira, caboclinhos, bambolê, congada e cirandas.

Festas:
Senhor do Bonfim, Nossa Senhora da Conceição, Iemanjá, Missa do Vaqueiro, Paixão de Cristo; romarias - destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Ceará.


Região Sul

Danças:
congada, cateretê, baião, chula, chimarrita, jardineira, marujada.

Festas:
Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; da Uva, em Caxias do Sul; da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.

Lendas:
Negrinho do Pastoreio, Boitatá, Boiguaçú, Curupira

Pratos:
churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.

Bebidas:
chimarrão, feito com erva-mate e tomado em cuia e bomba apropriada.

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