Felipe Cavalieri e Samuel Santos
Um esbarrão na hora da saída pode ter ocasionado mais uma grave ocorrência em uma escola de Franca. O professor de história José Maria de Oliveira Júnior, 43, morador no Jardim Redentor e funcionário da escola estadual “Laura de Mello Franco”, no mesmo bairro, acusa três alunos do ensino médio de terem lhe agredido com chutes, no início da noite de ontem. O professor disse que foi acusado de agredir um jovem. “Ali (no portão de saída), você esbarra em um, em outro... Aí eles me acusaram e aconteceu tudo isso.”
A confusão aconteceu pouco depois do fim das aulas no período da tarde, por volta das 18h20. Em vez de sair pelo portão da frente ou pelo do estacionamento dos professores, José Maria, que estava a pé, resolveu sair pelo lateral, que dá acesso à rua Paulo Francisco Queiroz Arruda. O professor queria economizar tempo e alcançar mais rápido o ponto de ônibus, onde iria embarcar para outra escola, onde leciona à noite.
Para sair, enfrentou o turbilhão de alunos que iriam para suas casas. “É aquele negócio: meu erro foi ter saído pelo portão do lado. Achei que ia economizar uma caminhada, mas só arrumei dor de cabeça”, lamentou José Maria. Já na rua, a vítima foi abordada por dois adolescentes, que começaram a discutir e perguntar se professor poderia bater em alunos. Um terceiro agressor chegou pelas costas. “Me fecharam, só senti a hora que me empurraram. Eu cai no chão. Depois que caiu já era, me cobriram de chutes. Fiquei todo esfolado, acertaram meu olho. Consegui levantar e sumiram todos. De frente, ninguém me encara”, completou.
Ainda segundo o professor, os alunos da manhã costumam rondar a região durante a tarde e são “noinhas” (usuários de drogas). No boletim de ocorrência, a vítima relatou que os agressores disseram que “amanhã (hoje) iam pegá-lo e meter bala (sic)”. A vítima afirmou à polícia que a vice-diretora da escola viu a agressão. Segundo os PMs que atenderam à ocorrência, a vice-diretora fez uma pesquisa nos arquivos da instituição e descobriu que um dos agressores tem 16 anos, é morador no Jardim Redentor e aluno do período da manhã.
A coordenadora pedagógica da escola estadual, Neide Cordeiro Leal, confirma que o professor trabalha no local. “Ele está substituindo umas aulas.” A coordenadora completou que nunca teve problemas do tipo no local. “(A escola) é tranquila.”
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação na noite de ontem, mas não obteve uma resposta sobre o fato.
O caso foi registrado no Plantão Policial como lesão corporal e ameaça.
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