Quinta-feira, dia 9 de agosto, 16 horas, avenida Adhemar de Barros no Jardim São Luiz. Um rapaz dorme em um banco de praça sem ser incomodado. Próximo dali, um outro aparentando estar embriago entra em um estabelecimento comercial para beber água. Minutos depois, um grupo de desocupados circula pela praça em atitudes suspeitas. A cena que antes era resumida a poucos locais de Franca, nos últimos meses se tornou corriqueira em mais endereços da cidade. Somente nesta última semana, a reportagem listou 15 pontos diferentes de vadiagem na cidade. A maioria em praças e espaços com grande circulação de pessoas (veja mapa nesta página).
São homens de idades variadas e até mulheres que, em muitos desses pontos, podem ser vistos todos os dias, deitados ou perambulando nos arredores. Segundo os moradores, alguns costumam intimidar pedestres, comerciantes e motoristas. Pedem dinheiro para comprar bebida e droga. Nessa abordagem o cheiro de urina e de pinga que muitos exalam incomoda.
Quem trabalha, mora ou tem estabelecimento por perto dos pontos de pedintes evita dar nome ou reclamar em público, temem pela reação desses que se tornaram vizinhos “indesejados”. Em alguns endereços o simples ato de chegar em casa traz medo em razão da presença desses desocupados. “A gente pode ser surpreendido na hora de descer do carro ou abrir o portão. Nem brincar na porta de casa as crianças podem mais”, disse uma moradora do bairro São José, onde é grande o número de pessoas nesta situação.
Na região do Samel Park e Residencial Nova Franca, os moradores já não sabem a quem recorrer em busca de ajuda. Pela proximidade do Abrigo Provisório Municipal, precisam lidar com a constante presença de moradores de ruas pedindo de porta em porta. “Eles são insistentes. A gente fica com medo de sair de casa, pois eles não têm nada a perder”, disse uma moradora que preferiu não revelar o nome.
Alguns metros à frente, na avenida William Azzuz, dois casais se instalaram no canteiro central e ali fazem suas refeições e passam o dia e a noite. No local há roupas, colchões e corotes de pinga. Na rua Luiz Pires, no Jardim Redentor, além das peças de roupas e colchões a presença de um fogão improvisado, restos de cinzas e até alimentos indicam que o local é ponto de moradores de rua e desocupados. “A Prefeitura já retirou eles dali várias vezes, mas eles acabam retornando. Para as pessoas que transitam pela rua, acabam incomodando, pois eles sempre abordam quem passa para pedir dinheiro. Tem ainda o problema da sujeira e do mau cheiro”, disse um comerciante da redondeza.
Na praça da Paróquia Santo Antônio, no bairro Cidade Nova, o que atrai os moradores de rua, segundo os frequentadores da igreja, é o banheiro e água acessíveis na entrada da paróquia. Eles também aproveitam os vãos entre as escadas e as portas para dormir. “Algumas senhoras reclamam e ficam com medo de vir até a igreja. No fim de semana, por causa das missas, o número de pedintes aumenta e eles ficam pedindo esmola nas portas e para cuidar dos carros”, reclamou um fiel.
O secretário de Ação Social, Roberto Nunes, atribui a presença de moradores de rua em diferentes regiões à conscientização da população que, em alguns pontos, parou de dar esmola aos pedintes. “Como eles não têm retorno, deixam aquele local e buscam conseguir doações em outro endereço.”
Anteriormente a região central, em especial a praça João Mendes e a avenida Major Nicácio, concentrava a maioria desses desocupados.
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