O que é ser pai? Como se aprende a ser? Os filhos são reflexos dos pais? Até que ponto o meu filho deve ter liberdade? Domingo foi comemorado o Dia dos Pais. Para mim, a data deve ser destinada à reflexão.
Ser pai comporta várias definições e nenhuma delas, com certeza, é capaz de definir essa pequena palavra com significado definitivo. É pai aquele que forneceu material genético, ou seja, pai biológico; mas há também aquele que cria, e mesmo não sendo pai biológico é pai social/afetivo. Na Psicanálise o ‘nome do pai’ é extremamente importante, principalmente para impor o corte, a necessidade de romper no imaginário da criança o desejo de ter a ‘mãe’ apenas para si. O pai representa a autoridade, a lei, a coação, e não sendo bem trabalhado isso, certamente haverá problemas no futuro dos filhos.
Ser pai exige reflexão, como eu disse. Muito do que você acredita ser correto, quando se trata do seu filho, você se obriga a analisar de novo, e de novo. Ser pai bonzinho é fácil, mas, no futuro, a vida cobrará de ambos a ausência de limites. Ser pai carrasco também não é bom. Uma figura extremamente autoritária poderá fazer com que o filho repita isso, ou não tenha qualquer iniciativa como medo das punições. O pai ideal não precisa ser bonzinho e nem carrasco, tem que ser suficiente.
Aqui reside a questão: o que é ser suficiente? É saber dar afeto, amor e carinho em todos os momentos da vida. Quando falo desses sentimentos, também me refiro às correções, à disciplina, aos limites. Quem ama também cuida. Amor, carinho e afeto são destinados a pessoas que queremos bem. Indiferença é o sentimento negativo que um pai jamais pode ter por um filho. Não tenho dúvida de que concordo com a sabedoria popular: filhos são reflexos dos pais. É verdade que o meio social influencia a vida, o modo de ser das pessoas, da mesma forma que os filhos, ao se tornarem-se maiores e capazes, passam a manifestar e fazer suas próprias vontades. Contudo, é na fase da infância que se molda o caráter do ser humano. E nessa fase, a responsabilidade da formação é dos pais, seja ele biológico ou não.
Filhos devem ter liberdade mas devem entender desde cedo que há limites. Liberdade significa viver plenamente dentro daquilo que é possível e permitido. Por essa razão há a presença do Estado para punir quem não sabe viver em liberdade. Viver em sociedade é saber viver uma liberdade castrada: posso desejar tudo, mas nem tudo eu posso ter ou fazer.
Vejo pais se questionando sobre a educação que dão ao filho pelo fato da criança dizer que ele é: ‘chato, bobo, que não gosta do filho, que queria outro pai, etc....’. No entanto, esse sentimento, ao contrário da fala, revela a importância desse pai para o filho. Só um pai presente pode ser chato, bobo, e fazer com que os limites necessários para se viver em sociedade sejam alcançado pelo filho, já que na vida social, seremos contrariados em nossos desejos, tal como o pai contraria o desejo do filho.
Quando bem vivenciadas essas fases, nos tornamos pessoas felizes, maduras, sociais, inteligentes e seguras.
Agradeço ao meu pai por todo amor que destinou a mim e aos meus irmãos, inclusive, o amor manifestado nas correções que se fizeram e continuam se fazendo necessárias até hoje!
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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