Apesar de ter o segundo ar mais limpo do Estado de São Paulo, Franca registrou aumento de 50% no nível de concentração de fumaça. Um estudo realizado pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) no final do ano passado indicou que o nível de fumaça ou FMC (material particulado suspenso na atmosfera proveniente dos processos de combustão) era de 9 microgramas por metro cúbico. Em 2009, o índice era de 6 microgramas por metro cúbico.
Mesmo com o aumento, o FMC francano ficou bem abaixo da média estadual de 35 microgramas por metro cúbico registrada nas estações da Cetesb no ano passado. O mesmo levantamento também apontou Franca como a cidade com o segundo ar mais limpo, atrás apenas de São José do Rio Pardo, que teve uma concentração de 8 microgramas por metro cúbico de FMC. O estudo levou em conta 15 cidades do interior paulista e Baixada Santista.
O gerente da Cetesb de Franca, Francisco Setti, explica que a concentração de material particulado é baixo na cidade porque a estação que realiza a medição fica no Centro da cidade, longe do Distrito Industrial, onde existe mais emissão de fumaça. “A estação da Cetesb fica no Centro para medir a fumaça emitida pelos veículos, já que lá há mais trânsito. 90% de Franca tem uma condição igual à analisada nesse ponto da cidade”, explicou Setti, acrescentando que não é preciso medir a emissão das fábricas do Distrito, porque o controle na região é feito várias vezes ao ano.
Quanto ao aumento da concentração de fumaça de 2009 para 2011, Setti afirma que o índice é relativo, já que cada ano apresenta uma realidade diferente. “Os principais fatores que causaram a alta concentração do material na atmosfera foram a baixa umidade do ar e as queimadas urbanas. Essas últimas foram muito frequentes em 2010, mas diminuíram em 2011 e ainda mais em 2012.”
O químico e professor universitário Antônio Queiróz concorda que os números da poluição do ar podem ser relativos, mas cita outros elementos que também influenciam os índices. “Em Franca, não são só as queimadas levam a um aumento de material particulado na atmosfera, mas também o processo de vulcanização da borracha, o aumento de carros nas ruas e a retomada da produção industrial”, disse.
Queiróz alerta que os níveis de concentração captados em Franca já são de nível moderado, e podem causar problemas respiratórios, reações alérgicas e tosse, por exemplo. “Para os padrões do interior paulista, esses números já estão altos demais.”
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