Um levantamento realizado pelo Comércio da Franca junto à Polícia Civil de Franca revela que, de janeiro a julho deste ano, foram registrados 191 casos de pessoas desaparecidas. Deste número, 26 são de cidades da região. A maioria dos registros, segundo a polícia, são de pessoas com menos de 25 anos de idade e envolvidas com entorpecentes ou problemas psiquiátricos. Perto de 80% dos casos já foram esclarecidos com o encontro das vítimas, seja por parte da polícia ou pelos próprios familiares, em até 24 horas (leia mais nesta página).
Alguns casos, porém, desafiam as investigações e deixam famílias angustiadas. São pessoas que sem justificativa aparente deixaram suas casas para fazer coisas corriqueiras e simplesmente não retornaram. A família do lavrador João Abrile, 49, vive este drama há mais dois meses. João desapareceu sem deixar pistas do local do trabalho. A porta de sua casa ficou aberta e do interior nada foi levado. Tinha consigo somente as roupas do corpo.
O caso foi registrado no dia 6 de junho passado na cidade de Pedregulho. O lavrador saiu de Franca, do bairro Boa Vista, onde mora com a mulher e filho, e foi trabalhar em um sítio na cidade vizinha. Segundo sua mulher, a dona de casa Nair Pasqueto Abrile, seu marido sumiu deixando documentos e as roupas no local do trabalho. “O patrão dele disse que foi chamar o João para trabalhar e não o encontrou”, disse a dona de casa.
A Polícia Civil informou que uma equipe da delegacia de Pedregulho trabalha no caso, auxiliada por agentes da DIG. Um vizinho do lavrador disse que, na madrugada do dia 6 de junho, viu o homem e chegou a conversar com ele. “Esta testemunha informou que João parecia estar perdido. Ele chegou no sítio vizinho perguntando onde estava e qual era sítio que trabalhava. Depois saiu e não foi mais visto por ninguém. Estamos ainda realizando diligências e conversando com familiares e amigos para buscar novas pistas”, disse o delegado Wanir José da Silveira, assistente da Delegacia Seccional de Franca.
Outro caso intrigante é o desaparecimento do estudante William César Lopes Ferreira, 20, morador na Vila Isabel. O rapaz estava na casa de um amigo e saiu dizendo que voltaria para a residência dos pais, mas desapareceu. Ferreira estava com os documentos e com o carro da família, um Megane verde, ano 1999, que também não foi encontrado. Dias depois do desaparecimento do estudante, aproveitando o desespero da família, um homem ligou para os pais de William dizendo que sabia onde o jovem estava, mas só passava a informação mediante o pagamento de R$ 7 mil. Foi indiciado por tentativa de extorsão.
Neste caso, especificamente, a angústia é ainda maior, pois a DIG investiga o encontro do corpo de um homem na região de Restinga, em março, que pode ser do rapaz. O corpo foi exumado e a polícia aguarda o resultado de DNA para confrontar com do estudante.
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