Os funcionários do Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec” celebraram a alta de Antonio da Silva, 68, com um café da manhã e discursos de despedida e desejos de boa sorte. Agora, um dos pacientes mais antigos a deixar a unidade viverá com a irmã no bairro Jardim Aeroporto II, mas continuará com acompanhamento médico por mais seis meses. De 15 em 15 dias, ele deve voltar à unidade de saúde para se consultar.
Segundo a administradora do hospital, Lázara Maria Bernardes Batista, Antonio da Silva foi encaminhado ao “Allan Kardec” pela comunidade em novembro de 1980, aos 36 anos de idade, pelo que consta dos autos. “Antonio sofria de alcoolismo e demoramos muito tempo para encontrar os familiares. Ele tem um relacionamento muito bom com os funcionários e sempre procurava ajudar. Sempre participava das oficinas terapêuticas. Ele sempre se mostrou tranquilo, prestativo e se tornou um colaborador efetivo da entidade.”
Há um ano, Antonio começou aos poucos o processo de desospitalização para viver com sua irmã. Primeiramente por um período de cinco dias, depois sete e assim por diante, ele ficava na casa dela para se acostumar ao novo ambiente. O procedimento visa a interação de volta ao seio familiar, mas ele sempre retornava para o hospital pelo mesmo período de tempo.
Para a irmã, a doméstica aposentada Maria do Rosário da Silva, 67, o momento é de muita felicidade depois de uma vida difícil separada dos irmãos. O pai deles morreu cedo e cada um dos quatro filhos foi para um lado. “Tive uma vida muito sofrida e quando minha patroa se mudou para Ribeirão Preto, eu tive que ir junto. Voltei para Franca e depois de alguns anos descobri que meu irmão estava aqui no Hospital ‘Allan Kardec’. De vez em quando eu vinha visitar ele, mas como eu tinha dois filhos e sem casa própria, não podia ajudar ele. Agora graças ao meu antigo patrão eu consegui fazer minha casa e posso abrigá-lo.”
Segundo Antonio da Silva, o período no “Allan Kardec” foi bom e de muitas amizades. Ele gostava de ajudar na enfermaria a cuidar dos pacientes. “Eu dava comida na boca deles, dava banho neles. Não bebi mais desde quando cheguei aqui, nem vontade tenho mais. Agora quero estar junto com minha irmã, minha sobrinha e vai ser bom. Quero passar o resto da minha vida com eles, estou satisfeito.”
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