É tão dificil ser justo...


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Por que faço coisas que são contrárias ao meu modo de pensar? Por que aceito as situações tal como elas a mim se apresentam, abaixo a cabeça e concordo, mesmo não concordando? E sofro por isso, sem ao menos rebelar-me. O que devo fazer? Resguardar-me? Mas resguardar-me do quê? De mim? Do outro? Da vida? Faço o que, meu Deus? Não gosto de ser chamada ao tribunal da vida para atuar como juiz de causas que não quero, das quais não gosto. Mas mesmo assim o sou. Mas como não aceito que me manipulem, dou-me então o direito de apenas olhar e, com meu olhar, expressar o que penso e não falo,covarde ou corajosa que sou, ao abster-me de proferir palavras que podem voltar-se contra mim. Fico então em cima do muro, não a defender-me, mas para que o outro cresça, sem usar-me como bengala que não sou.

O que faz com que eu aja assim? Por que não brigo, grito, esbravejo, me imponho, me faço ouvir? Eu calo a minha voz e calando consinto com o que não quero. Sou omissa, penso ter adquirido o direito do silêncio... E então não digo nada. É como se minha voz já não fizesse parte de mim. Despersonalizo-me. Sinto que meu corpo se revolta e nada faço. E essa revolta desequilibra-me, descentraliza-me e traz para mim doenças que não quero, que não preciso, mas que vêm como forma de chamar minha atenção, para dizer-me que algo não vai bem e que minhas atitudes, a mim, são negativas. Ela me mostra o que quero esconder.

Será que com isso causo divisões entre as pessoas que me rodeiam, com as quais convivo? Então por que não faço um exame de consciência para saber se é isso que acontece? Mas será que sei o que é consciência? Será que sei o que é saber e para o que serve? São essas as perguntas que me faço e as respostas... As respostas eu não as encontro, pois não estão em mim, vagueiam sem rumo e não sei onde encontrá-las...

Muitas vezes falamos demais por nos pensarmos donos da verdade. Muitas vezes nos omitimos por imaginar que a verdade que é tão nossa, pode não ser a do outro. Mas existem as verdades universais, aquelas que estão e estarão sempre ao nosso redor, sempre a nos lembrar de como tudo deve ser. Mas como enxergá-las, com nossa visão distorcida? Ao calar-me, ao deixar que o outro tome as suas decisões, aquelas que eu deveria ajudar a tomar, sou omissa. Deixo para o outro a responsabilidade do erro e do acerto, enquanto passo o tempo a pensar se... Se eu tivesse coragem para dizer tudo que eu quero, tudo que o penso, tudo que vejo... Como será que seria? A justiça seria feita? Mas que justiça, se cada um vê, pensa e age de acordo com os seus parâmetros, com as leis que julga suas e tão certas? Cada um tem a sua interpretação a respeito de tudo. E quer ser compreendido pelo outro que também assim pensa. E aí? Será então que a justiça está em não tomar partido, em não ajudar o outro a definir sua situação? Será que devo envolver-me em outras vidas e agir como se juiz fosse? Mas eu não quero. Não me sinto capacitada para ajudar o outro a agir com sabedoria, integridade, com o coração livre de todos os sentimentos inerentes ao ser humano que somos. E aí me calo e erro. Erro? Aquele que erra, fugindo se denuncia, torna claro o que quer escuro. Pensa fechar a cortina e a abre. Apresenta-se claramente ao olhar perspicaz de quem o acopanha. Desnuda-se e não percebe.

Ou não?

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