A praça já não é mais a mesma. A música que tão bem a exaltou durante décadas também parece esquecida, mantendo-se viva apenas na memória daqueles mais velhos e saudosistas. Conforme já repercutimos várias vezes em nossas páginas, excetuando-se as praças mais centrais, geralmente cercadas por importantes e movimentados centros comerciais, o restante dos espaços verdes de nossa cidade está abandonado e disponível aos usuários de drogas, ao lixo e ao vandalismo.
Essa situação, obviamente, tem incomodado bastante os moradores que vivem no entorno desses espaços, como está acontecendo com aqueles que vivem próximos à praça Zumbi dos Palmares. Mas a questão, infelizmente, não é tão simples como parece e deveria nos levar a uma reflexão mais isenta sobre a sociedade em que vivemos e não apenas às cobranças e às reclamações junto ao poder público.
É certo que a praça é simbolicamente o mais importante espaço do povo. Foi nela que se iniciou a democracia ocidental. Foi nela que muitos acontecimentos históricos tiveram lugar. Foi nela também que se deram inúmeros fatos corriqueiros e cotidianos, fundamentais para todos os indivíduos. No entanto, os símbolos não duram para sempre. Mudam com o tempo, assumindo outros significados.
É o que parece estar acontecendo com as praças. Aquele banco, aquelas flores e aquele jardim já não são os mesmos, e até porque perderam parte de seu valor, não são ‘respeitados’ pelos cidadãos, uma vez que são justamente eles que vandalisam e sujam as praças. Se há falhas na manutenção por conta do poder público, não é possível perder de vista que há vários espaços na cidade que são limpos e logo em seguida já estão sujos e cheios de entulho, deixados por cidadãos sem educação. Além disso, esse espaço que já foi tão valioso, está esvaziado hoje em dia. Se as praças ainda estivessem cheias, com pipoqueiros, doceiros e crianças correndo por toda parte, bem como bancos plenos de amigos e namorados, talvez a sordidez não se aproximasse.
Mas o que acontece hoje em dia é muito diferente. As pessoas preferem o aconchego da casa ou a funcionalidade de um bar ou loja de conveniência. A despeito da idade, estão mais concentradas na televisão e na internet, uma espécie de praça online e internacional que permite uma gama maior e mais intensa de relacionamentos e experiências.
No fundo, talvez a praça tenha se tornado um pouco enfadonha nos dias de hoje, sobretudo para os mais jovens. Para reverter esse processo de esvaziamento será necessária mais criatividade e cidadania por parte da sociedade e dos poderes públicos. Será preciso mais bom senso no uso e eficiência nos cuidados, pois as pessoas só voltarão a ocupar esses espaços quando eles se tornarem atraentes novamente. De qualquer forma, enquanto isso não acontece, é imprescindível que as autoridades consigam manter esses espaços livres de ameaças e transtornos aos moradores.
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