Apae Franca capacita alunos para inclusão no mercado de trabalho


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Alunos são acompanhados por profissionais da Apae durante visita ao Terminal Rodoviário Urbano. Objetivo é ensiná-los a chegar ao trabalho
Alunos são acompanhados por profissionais da Apae durante visita ao Terminal Rodoviário Urbano. Objetivo é ensiná-los a chegar ao trabalho

Trinta e cinco alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca participam de treinamento e são preparados para assumir uma vaga no mercado de trabalho. Atualmente, 16 empresas da cidade têm em seu quadro de funcionários alunos e ex-alunos da entidade.

“Muitos de nossos alunos já estão empregados e outros em processo de treinamento. Através de uma parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), 20 estudantes do 5º ano (4ª série) do ensino fundamental fazem aulas de capacitação profissional durante a manhã e voltam para cá à tarde. Além disso, mais 15 alunos recebem o acompanhamento necessário na própria Apae para, depois de algum tempo, iniciar sua carreira”, disse a coordenadora da associação, Ada Maria Liboni, que há mais de 20 anos trabalha com portadores de deficiência.

Semanalmente, a Apae é procurada por dezenas de empresas com mais de 100 funcionários, que são obrigadas por lei a destinar uma parte de suas vagas para pessoas com deficiência física ou mental. Os empregadores oferecem planos de carreira, mas muitos dos potenciais trabalhadores e seus familiares recusam a oportunidade para não abrir mão dos benefícios recebidos do governo. Isso porque, enquanto a pessoa trabalha, o BPC (Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social) fica suspenso e as famílias que contam com esse recurso para manter as despesas têm medo que, em caso de demissão, ele não seja renovado.

A coordenadora da Apae admite que é uma tarefa árdua convencer as famílias a largar o dinheiro garantido através do benefício e apostar no sucesso profissional do deficiente. “Eu não tiro a razão das famílias. Se ele continua no trabalho, ótimo, mas se acaso não consiga se manter no cargo, tenho minhas dúvidas se o benefício volta automaticamente.”

Mas ela diz que nunca presenciou um caso em que o deficiente precisou solicitar o benefício pela segunda vez. Normalmente, os alunos permanecem no emprego e seguem carreira. “Nossos alunos têm dificuldade de aprendizagem, mas no resto são muito bons. Procuramos saber com antecedência qual a vaga oferecida. Vamos junto com psicólogos e assistentes sociais até a empresa para conhecer as condições de trabalho. Quase sempre, nessas visitas, encontramos diversas outras possibilidades de inserção de alunos da Apae.”

Desde 1991, o governo fiscaliza e multa as empresas que não cumprem o sistema de cotas. De acordo com o gerente regional do Ministério do Trabalho, Jamil José Leonardi, a meta de contratações para este ano em todo o Estado é de 14.559. “Esse número é dividido entre as regionais. A nossa meta é de 25 contratações por mês, mas esse número é muito difícil de alcançar porque, normalmente, as pessoas recebem benefício do governo não estão dispostas a abrir mão desta ajuda para trabalhar formalmente.”

Segundo o último balanço divulgado pela Delegacia Regional do Trabalho, das 1.903 vagas abertas para deficientes na cidade apenas 540 estavam preenchidas. As 1.363 restantes continuavam desocupadas.
 

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