Os estacionamentos especializados em comercializar carros usados em Franca têm sentido uma importante redução no volume de unidades negociadas nos últimos meses. Uma série de fatores, que vão de incentivos governamentais para a aquisição de automóveis zero quilômetro ao aumento da burocracia para a compra de seminovos, são apontadas para explicar a queda. Em alguns estabelecimentos, segundo os proprietários, a diminuição nos negócios chega a 60%.
Várias empresas revendedoras de veículos foram consultadas ontem e traçaram um perfil convergente da atual situação do mercado. De acordo com o gerente comercial da Cruzeiro Automóveis, Cildo Chieregato, em maio foram vendidos 22 carros usados, em junho 10 e em julho 11. Uma queda de 55% e 50%, respectivamente, em comparação com o último mês de maio. “Foram dois meses bem ruins mesmo. Uma das coisas que está complicando mais a situação é a liberação de crédito para os usados, os bancos tinham que dar uma melhorada nisso.”
Colaboraram para este cenário, também de forma decisiva, as dificuldades impostas pelas financeiras para as vendas a prazo de automóveis antigos. Sem entrada, então, os contratempos e as chances de ter o crédito negado são ainda maiores. Soma-se ao fato a decisão do Governo Federal de baixar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os modelos zero quilômetro, anunciada em maio último.
Segundo um dos proprietários da JJ Veículos, Giovani Ferreira Guilherme, depois que o imposto caiu, as vendas dos usados diminuíram 30% em sua loja. “Vendemos 12 carros em maio, mas em junho foram somente oito e em julho sete. Tivemos de baixar os preços desses modelos também e inclusive alguns carros mais antigos não estão dando nem o custo que pagamos, estamos perdendo dinheiro.”
Além do IPI mais baixo, os bancos facilitam o financiamento dos carros novos em até 100% do valor, fato que dificilmente ocorre em um usado. Neste caso, os clientes devem dar uma entrada de pelo menos 20%. Como a diferença nos valores da parcela entre o usado e o zero fica pequena, o comprador leva o novo e o usado toma os pátios dos estacionamentos. “Aqueles veículos que compramos antes da baixa do IPI, que pagamos por exemplo R$ 20 mil, vamos ter que vender por R$ 18 mil. Os carros usados estão 10% mais baratos, mas o problema é a dificuldade de financiamento”, disse o gerente da Cofrana, Luiz Gustavo Ambrósio e Silva.
Para o operador de negócios do Santander, Carlos Eduardo Murari, que faz o elo entre o banco e as revendedoras, as empresas, mesmo que percam vendas, têm procurado selecionar criteriosamente os compradores. “A inadimplência registrada no começo do ano foi assustadora, por isso aumentaram as exigências. Quando o cliente não dá entrada, ele não se sente compromissado de pagar, porque não perde nada, só vai perder o nome, e isso ninguém dá importância mais.”
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