Analfabetismo e ficha limpa barram candidatura de dois em Restinga


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A lavradora Aparecida Ferreira, a Baianinha, lamenta a decisão da Justiça que a impediu de disputar uma vaga de vereadora: ‘Analfabeto só é lembrado no dia da eleição’
A lavradora Aparecida Ferreira, a Baianinha, lamenta a decisão da Justiça que a impediu de disputar uma vaga de vereadora: ‘Analfabeto só é lembrado no dia da eleição’

Por determinação da Justiça Eleitoral, 40 das 1.247 candidaturas a vereador em Franca e região foram indeferidas. Restinga, onde 77 candidatos se inscreveram como candidatos a uma das nove vagas de vereador, foi a única cidade que teve candidata barrada por não saber ler e escrever e candidato enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

O analfabetismo acabou com o sonho da lavradora Aparecida Ferreira (PMDB), a Baianinha. Já o curtumeiro João Afonso (PT), o João da Faca, teve o registro negado por ter sido condenado por estelionato e atentado violento ao pudor. A mulher disse que não pretende recorrer da decisão. O petista alegou que foi “pego de surpresa” pela informação.

Maria Cristina Oliveira de Paula, analista judiciária da 240ª Zona Eleitoral de Franca – que abrange também os municípios de Cristais Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista – confirmou as informações. “Ela (Baianinha) teve a candidatura negada por não atender os requisitos da Constituição, que estabelece que os analfabetos são inelegíveis e, portanto não podem se candidatar. O outro candidato (João da Faca) precisa esperar oito anos, após cumprir sua condenação, para se tornar elegível novamente”, disse Maria Cristina.

A lavradora de 42 anos, mãe de nove filhos, foi surpreendida durante a análise dos documentos para o registro da candidatura. A declaração de escolaridade que ela teria feito de próprio punho não convenceu os funcionários do Cartório Eleitoral. A equipe do cartõrio informou o juiz Frederico Augusto Monteiro de Barros, determinou o comparecimento da candidata perante a Justiça Eleitoral para o teste de alfabetização. “Com base na Resolução (Eleitoral) 23.373, foi apresentado um texto para que ela lesse e alguma palavra para escrever. Como não conseguiu, ficou constatado que ela não era alfabetizada”, confirmou a analista judiciária.

Baianinha não esconde a frustração. “Me pediram para escrever a palavra casa e ler um texto. Eu não consegui, por que só sei ler e escrever meu nome. Estou revoltada por que analfabeto pode votar mas não pode ser candidato. Analfabeto só é lembrado no dia de eleição”, desabafou a lavradora. Ela pretendia recorrer da decisão, mas foi desaconselhada por amigos. Baianinha garantiu que vai se alfabetizar para disputar o pleito de 2016.

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