Meningite faz 2ª vítima no ano: bebê morre em menos de 30 horas


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 Familiares e amigos acompanham enterro de Lavinya Rodrigues Lima, de apenas oito meses
Familiares e amigos acompanham enterro de Lavinya Rodrigues Lima, de apenas oito meses

Lavinya Rodrigues Lima, de oito meses, moradora do Jardim Simões, morreu na noite da última quinta-feira, 2, menos de 30 horas depois de passar pelo primeiro atendimento médico no Hospital São Joaquim. A bebê estava com febre alta, moleza no corpo e vômito intenso. A criança foi vítima de meningite pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo). O médico da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa Júnior, disse que a paciente foi atingida por uma forma fulminante da doença.

A meningite é uma inflamação das membranas (meninges) que revestem o encéfalo e medula espinhal e é provocada por bactérias, vírus e outros micro-organismos. A morte de Lavinya é a segunda pela doença em Franca neste ano. Em 2011, a Secretaria de Saúde registrou 40 casos de meningite, com cinco mortes.

Os pais de Lavinya, o ajudante geral Edson Barbosa Lima, 30, e a auxiliar de aviamentos Maria Isabel Rodrigues Lima, 30, disseram que a filha estava bem de saúde e ativa. Na manhã de quarta-feira, o casal, como fazia todos os dias, levou a filha de carro até a creche no Parque das Esmeraldas, onde era atendida desde os quatro meses. Por volta das 6h30, Lavinya foi entregue aos cuidados das funcionárias. À tarde, Edson recebeu um telefonema no trabalho para buscar a filha na instituição porque estava com febre alta.

Da creche, o pai seguiu direto para o hospital, onde chegaram 15h30. Lavinya estava com 39º de febre. “A médica olhou garganta, ouvido e medicou com uma injeção para baixar a febre. Pediu para observar e esperar 24 horas se algo manifestava e deu alta.”

Pai e filha voltaram para casa. Às 17 horas, a mãe chegou e deu leite na mamadeira para a criança, que dormiu, mas pouco depois despertou e começou a chorar. Quando a mãe foi pegá-la no colo, ela vomitou. “Ela vomitava sem parar. Dei um banho nela e ela só encostou o pescocinho no meu colo e ficou quietinha, muito mole. Eu falava: calma, Lavinya, vai ficar tudo bem. Aí corremos para o hospital”, disse a mãe, chorando, enquanto velava a filha.

Na quarta-feira ainda, a família voltou para a Unimed por volta das 19h30. O pediatra que atendeu a bebê pediu exames de sangue e urina, mas, segundo os pais, os resultados não apontaram alterações. “Ela ficou tomando soro, mas não parava de vomitar, não acordou, não mamou, não tomou água. O médico decidiu internar”, disse Maria Isabel.

Na manhã de quinta-feira, a mãe percebeu um caroço na parte superior da cabeça da filha (moleira) e avisou a médica, que decidiu coletar o liquor, líquido da medula que permite diagnosticar meningites. A coleta foi feita às 10 horas de quinta-feira e às 15 horas o resultado ficou pronto e deu positivo. “A Lavinya foi medicada, mas depois ficou muito ofegante, com falta de ar e precisou ser entubada. Também teve anemia e eles fizeram uma transfusão de sangue”, disse a mãe.

Os pais disseram que na noite de quinta-feira, às 20h30, menos de 30 horas depois de ter passado pelo hospital pela primeira vez, a filha morreu. “A equipe do hospital estava atendendo ela, aí fecharam a porta do quarto, foi um corre-corre e, meia-hora depois, eles vieram nos avisar que ela teve quatro paradas respiratórias e não resistiu”, contou Edson. “Os médicos falaram que tentaram reanimar, mas que infelizmente o coraçãozinho da Lavinya não aguentou, ele parou”, disse Maria Isabel.

SAUDADE
Os dois estão casados há cinco anos e Maria Isabel teve uma gravidez planejada. Lavinya era filha única. Ela completaria nove meses amanhã. “Foi um presente de Deus para a gente e de repente esse presente Deus tirou. Só Ele mesmo para explicar. Não adianta questionar, ela agora está dormindo um sono eterno”, disse a mãe. “Peço que os médicos façam exames mais amplos, já no primeiro atendimento, para ter um diagnóstico mais seguro. Às vezes parece nada, mas vai ver é algo mais sério”, complementou o pai. A assessoria de imprensa do hospital informou que todos os procedimentos necessários foram tomados e que o caso foi uma fatalidade.

Lavinya foi velada no São Vicente. O caixão, branco, ficou lacrado com uma foto da criança em cima. O enterro ocorreu na tarde de ontem no Cemitério Santo Agostinho.
 

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