Ativismo político


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Com o advento da sociedade em rede, potencializada pela interatividade instantânea dos novos espaços virtuais da Internet, verificamos a proliferação de manifestações cidadãs e de militantes políticos de todos os matizes ideológicas nas chamadas redes sociais e notadamente no Facebook, a mídia social mais bem sucedida de todos os tempos.

Trata-se de inovador canal de comunicação e de interação político-social que pode ser extremamente produtivo se bem aproveitado para a devida cobrança das autoridades públicas em relação a problemas básicos de políticas públicas e uma excelente vitrine de transparência e divulgação de informações de interesse público. É bem sabido que os poderosos sempre temeram - e temem - o poder libertador da informação. Hoje, ela circula livremente e em altíssima velocidade, e um número absurdamente grande de pessoas foi e ainda será incorporado a esse universo extraordinário e inovador.

A cidadania, num país onde a sociedade civil historicamente viveu e vive à sombra de um Estado opressor e excessivamente grande, é construção permanente. No entanto, é um processo longo e que necessita da vigilância perpétua dos cidadãos mais atentos e participativos. Nesse sentido, é extremamente atual o pensamento do filósofo político inglês John Stuart Mill, que sabiamente afirmou a respeito do perigo da passividade de um povo e da necessidade de participação mais ativa na vida pública: ‘Onde não existe uma escola de espírito público, dificilmente os cidadãos chegarão à conclusão de que têm deveres para com a sociedade, que não o de obedecer às leis e se submeter aos governos’. Assim, seria extremamente desejável que nós, brasileiros, pudéssemos usar essas novas tecnologias e as redes sociais como escola de exercício desse espírito público que tanto nos falta.

Nesse contexto, é fundamental a participação de cidadãos ativos e conscientes de suas funções cívicas, que devem ser vanguarda de militância cidadã virtual capaz de elevar o patamar da participação política e social, ampliando o sagrado espaço da esfera pública ao incorporar em definitivo as ferramentas interativas das redes sociais. No entanto, nem tudo são flores neste cenário. É imperativo alertar para o lado negativo que pode degenerar estes bons instrumentos de ativismo político.

É muito comum que os grupos de discussões políticas virtuais transformem-se em palco para demagogos e passarela para desfile lamentável de mágoas e rancores pessoais, que, por covardia e/ou medo, não são canalizados diretamente para quem deveria ser o destinatário das inúmeras reclamações dos cidadãos. Talvez por ignorância, talvez por má fé, esse lado negativo existe – e é facilmente verificável com um rápido acesso ao Facebook – e precisa ser neutralizado, através da conscientização do poder da ferramenta que hoje os cidadãos têm nas mãos.

Enfim, a revolução da informação e as inovações introduzidas pela Internet e pelas redes sociais já anunciaram a morte das hierarquias e o nascimento de uma nova sociedade, crescentemente verticalizada e radicalmente mais aberta, plural e democrática.

Cabe aos cidadãos mais maduros para a iniciação na vida cívica e cidadã da cidade e do País, zelarem para bom uso e para a disseminação destes importantes espaços de ativismo político virtual.

Leonardo Queiroz Leite
Mestrando em Ciência Política - UFSCar

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