No mundo mais dinâmico da internet, o que prevalece é o imediatismo mais direto das imagens e sons em tempo real. Na maioria das mídias atuais, cabe aos textos apenas um papel secundário, desde que bastante curtos e objetivos. A despeito daqueles que lamentam essa nova realidade e daqueles que a comemoram, é impossível negar que o livro parece estar com dificuldades para encontrar um lugar ao sol. E isso em sentido bastante literal, se considerarmos que quase 2 mil livros, entre eles alguns raros e preciosos, se encontravam encaixotados em uma sala da sede campestre do clube Castelinho.
Ninguém sabe ao certo a origem desse acervo. Imagina-se que ele tenha se desenvolvido ao longo do tempo, já que esses livros faziam parte de uma biblioteca bastante antiga, fundada na primeira década do século passado e disponibilizada aos cidadãos por meio da AEC (Associação dos Empregados do Comércio), no antigo prédio do centro da cidade, a partir de sua inauguração.
Porém, independentemente de sua origem, o fato positivo para a cidade é que depois de muito tempo esquecidos, seja nas estantes da também fechada e esquecida biblioteca ou nos caixotes em que foram colocados após a venda do prédio da AEC para a iniciativa privada, esses livros em breve poderão ser consultados pelas pessoas que por eles se interessem, de cidadãos comuns a estudiosos e pesquisadores.
De acordo com a análise preliminar feita por funcionários do Arquivo Municipal, há livros raros, livros escritos por importantes personalidades de nossa cidade e muitos outros que falam de nossos costumes, nosso cotidiano e de muitos acontecimentos importantes de nossa história.
Talvez, mesmo no Arquivo, eles continuem um pouco esquecidos por nossa comunidade, já que a dinâmica do mundo moderno tem nos desviado da leitura mais tranquila de um livro. De qualquer forma, lá pelo menos esses livros estarão mais bem guardados e protegidos contra a deterioração e o desaparecimento, como vários outros que lá estão, aguardando que no futuro alguns pesquisadores e curiosos se lembrem de sua existência.
É importante frisar que a história é fundamental para entendermos o presente e pensarmos no futuro. De certa forma, podemos tirar dela muitos ensinamentos que quando pensados e adaptados para o momento presente, nos ajudam nas decisões e estratégias que tomamos em nosso cotidiano.
Mesmo considerando que a leitura de livros não é uma tendência entre os jovens e até mesmo os adultos de hoje, não é por isso que vamos descuidar dessa forma milenar de comunicação, que tornou possível muito do desenvolvimento que alcançamos até hoje.
O que nos resta é comemorar a recuperação desses livros e lembrar que um povo que não conhece sua história tende a repetir os erros.
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