Filas e demora no atendimento do NGA causa revolta em pacientes


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Pacientes aguardam a abertura do NGA na manhã da última quinta-feira
Pacientes aguardam a abertura do NGA na manhã da última quinta-feira

De segunda a sexta-feira, duas filas que chegam a reunir mais de cem pessoas começam a se formar por volta das 5h ao lado do antigo Pronto-Socorro “Dr. Janjão”. São os pacientes à espera de atendimento especializado no NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial), que abre às 7h. Uma fila é de idosos, gestantes, mães com crianças de colo e deficientes, que têm prioridade no atendimento. A outra é da população em geral. As consultas em 20 especialidades são marcadas para quatro horários: 7h, 10h, 13h e 16h, mas em cada um dos horários a ordem de atendimento é por chegada.

Para garantir a consulta, a maioria dos usuários do Núcleo passa por uma jornada marcada por desconforto, grosserias, exposição ao clima e muita espera. Segundo a secretária de Saúde, Rosane Moscardini Alonso, um médico de cada especialidade pode atender até 20 pessoas nos horários preestabelecidos. “A especialidade de cardiologia, por exemplo, atende até 120 pacientes por dia, pois temos seis médicos atendendo no NGA”, explica.

O “calvário” é pior para os pacientes da fila geral. Por exemplo, a cozinheira Onofra Leopoldino, primeira a chegar ao NGA na última quinta-feira, às 5h10, ficou de pé pelo menos duas horas e só foi atendida quase quatro horas depois de chegar. A consulta com um neurologista durou apenas sete minutos (ler texto nesta página).

Mesmo com o atendimento preferencial, os pacientes da fila de idosos do NGA também têm reclamações. “Mesmo essa fila dos idosos fica lotada às vezes. O jeito é ficar em pé ou sentar na amurada do prédio”, diz a aposentada Aparecida Morelli, que iria se consultar com um cardiologista porque sua pressão estava alta. Por ter chegado cedo, ela conseguiu um lugar para se sentar. Entretanto, disse que se consulta no NGA há mais de três anos, e quase todas as vezes teve que esperar em pé.

No espaço externo reservado aos pacientes prioritários, há apenas três bancos pequenos, sendo um sem encosto. No dia em que a reportagem visitou o local, vários idosos que chegaram por volta das 6h40 já não encontram local para sentar.

A aposentada Maria Consolação Galvani diz que já tomou chuva duas vezes porque a marquise do NGA é pouco eficiente nessas ocasiões. “Às vezes, quando está chovendo, eles abrem as portas para esperarmos lá dentro, mas não é sempre que isso ocorre.”

SEM MUDANÇAS
A secretária da Saúde diz que não há planos para diminuir a fila ou melhorar a situação das pessoas que aguardam nas duas filas antes de o NGA abrir. “É uma questão cultural. Eu não tenho como controlar o comportamento dos pacientes. Nós organizamos o serviço para que ele funcione apenas 12 horas por dia.” Alonso ressalva que o serviço do NGA deve, no entanto, ser agilizado com a contratação de mais médicos. O processo seletivo termina hoje, à meia-noite.
 

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