Duas reportagens publicadas por este Comércio no domingo, 22/07, mostram como ainda existe muita desinformação na sociedade dita do conhecimento e da informação. Segundo uma delas, das 17,9 mil famílias francanas com direito à Tarifa Social na conta de energia elétrica, apenas 7,4 mil estão recebendo o benefício.
Essa tarifa, instituída pelo Governo Federal em setembro de 2010, tem por finalidade subsidiar o custo da conta de luz das famílias que tenham renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo ou daquelas que tenham entre seus integrantes algum portador de doença ou patologia cujo tratamento necessite de equipamentos elétricos de uso contínuo.
Em uma conta simples, é possível descobrir que mais de 10 mil famílias estão perdendo essa oportunidade de baratear seus custos mensais. Considerando-se que estamos falando de famílias de baixa renda, infere-se que se não o fazem é porque desconhecem o benefício, ou talvez porque temam a burocracia ou mais simplesmente porque não acreditem nele.
A outra reportagem mostra que apenas 22% das vítimas de acidente de trânsito em Franca e região entraram nesse ano com pedido de indenização pelo seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre). Da mesma forma que no caso anterior, considerando-se as mais de 1.200 vítimas de acidentes de trânsito e as 271 pessoas que solicitaram o seguro, é possível deduzir que quase mil pessoas desconhecem esse direito, temem a burocracia ou também não acreditem que isso possa ser verdade.
É claro que nesse segundo caso é preciso considerar as várias vítimas que têm plano de saúde privado. Mas, de qualquer forma, também é preciso levar em conta que muitas dessas pessoas não sabem que mesmo assim poderiam requerer a indenização pelo DPVAT.
Porém, se deixarmos de lado essas questões de burocracia ou de incredulidade, que devem estar restritas a um pequeno grupo de cidadãos, o que resta mesmo é a sensação de que existe uma grande falha de comunicação entre o poder público e parcelas consideráveis de nossa população, infelizmente as que mais necessitam desses benefícios. Uma falha de comunicação que também poder ser entendida, sob determinado ponto de vista, como uma falta de interesse desses mesmos poderes em divulgar ao cidadão brasileiro esses direitos adquiridos, uma vez que outros tipos de campanhas de comunicação e de divulgação encabeçadas por algum dos três poderes de nossa República são bastante comuns.
Nesse sentido, é importante que as autoridades competentes comecem a intensificar o máximo possível a divulgação desses direitos. Mesmo considerando o maior acesso à informação por parte das classes socioeconômicas menos favorecidas no mundo atual, é preciso que nossas autoridades tomem a frente desse processo, deixando mais claro a todos quais são os direitos, quem pode requerê-los e como pode fazê-lo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.