Arpad, o guloso


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Arpad Silvassy era professor de Sociologia. De origem polonesa-alemã, veio para Franca nos finais da década de 60 com o objetivo de lecionar na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Ele conhecia profundamente a matéria que ensinava. O seu problema estava em transmiti-la. Usava várias línguas para comunicar-se com seus alunos. Ora era o português, ora o espanhol, ora o alemão, o inglês, o polonês. Apesar de tudo, entendíamos (ou, pelo menos, pensávamos entender) o essencial da ciência sociológica.

Arpad adorava conviver com seus alunos. Com eles conversava, com eles passeava e com eles morava numa “república” situada nas imediações da Rua Líbero Badaró.

A família do Prof. Arpad morava nos Estados Unidos. Aqui em Franca, nós, os estudantes, éramos a sua família.

Arpad era um homem de meia idade, forte, alto, loiro, bem disposto. Eu me dava bem com ele. Gostava de ouvi-lo. Era um homem culto, apesar de, vez por outra, apresentar-nos algumas idéias meio amalucadas.

Certa feita, convidei - o para jantar em minha casa. Aceitou imediatamente e com prazer. A nossa mesa sempre foi farta, senão em variedade, pelo menos em quantidade. Minha mãe fez arroz com lentilha (mjadra), salada de tomate com cebola e hortelã e mais uma carne de porco bem apuradinha. Arpad comeu com muito bom apetite. Meu pai convidou-o a repetir a refeição. O professor não se fez de rogado. A convite de minha mãe (que havia recomposto as travessas), Arpad repetiu os pratos pela terceira vez. Não houve uma quarta, pois ninguém mais lhe ofereceu nada. Vendo as panelas vazias, minha mãe logo veio com o café e deu por encerrado o jantar. Tenho certeza de que o Prof. Arpad deliciou-se com a comida. Porém, certeza não tenho se ele ficou plenamente satisfeito. Na minha opinião, ele comeria ainda mais vezes.

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