Por dia, 50 novos pacientes engrossam a já extensa fila de cirurgias eletivas. A estimativa é da Secretaria Municipal da Saúde, que tem cadastradas 9.264 pessoas de Franca e região à espera da operação. Os casos mais comuns são cirurgias de garganta (retirada das amídalas), catarata, hérnia, vesícula, além das vasculares, ortopédicas e oncológicas. Segundo a secretária da pasta, Rosane Moscardini Alonso, são realizados em média 280 procedimentos por mês (o pacote mensal inclui 130 cirurgias mais 150 extras do mutirão, segundo a Prefeitura), o que representa uma média de 14 operações diárias, tornando o déficit de atendimentos permanente. Em junho deste ano foram feitas 248 cirurgias.
O tempo médio de espera pelas eletivas é de um ano, de acordo com Rosane, mas há casos em que extrapola essa margem. Cabe à Secretaria Estadual de Saúde definir a instituição que realizará o procedimento. A Prefeitura realiza a busca ativa dos pacientes, exames pré-operatórios e transporte deles. Normalmente o atendimento aos usuários é feito por ordem de inscrição na fila das eletivas, mas outros fatores são levados em conta para a escolha de quem será atendido, entre eles, a idade da pessoa, se há doenças concomitantes, estado clínico e riscos de complicações no pré e pós-operatório.
Victor Demétrio Palhares Quintino, 5, é um dos mais de dez mil pacientes na fila para eletivas da região de Franca. Aguarda a cirurgia para retirada da adenóide (nariz) e amídalas (garganta) há cerca de dois anos. O sofrimento é constante por causa da obstrução na garganta, que o impede de respirar e se alimentar bem.
A mãe de Victor, a pespontadeira Ana Paula Palhares Teodoro, 27, percebeu os problemas de saúde do filho quando ele era mais novo. Aos dois anos, ele começou a se sentar na cama para conseguir respirar durante a noite. “Ele ficava puxando o ar, mesmo dormindo, para conseguir respirar. Ele roncava muito também.”
Depois de passar pelo pediatra na unidade básica de saúde, ser encaminhado para o otorrinolaringologista e fazer exames, ficou constatada a necessidade da cirurgia. “Além da adenoide, ele tem outro problema que incha a garganta e deixa quase fechada. Os exames mostraram que ele tem quase 50% de obstrução. O médico disse que só 50% da garganta e do nariz dele funcionam, então é muito difícil para respirar, comer, dormir”, disse Ana Paula.
Para aliviar a falta de ar, os médicos sugeriram que a mãe colocasse um travesseiro embaixo do colchão e usasse um travesseiro alto para Victor se deitar e respirar melhor. O menino também toma um remédio para dormir melhor.
No começo deste ano, a Secretaria de Saúde entrou em contato com Ana Paula, que teve esperança de que a cirurgia do filho fosse finalmente agendada, mas se frustrou. Ela se queixa da morosidade dos serviços prestados pelo SUS. “Não tem nem previsão. Se a gente tivesse condições, já teria pago a cirurgia particular. Acho um absurdo essa espera. E não é somente a cirurgia que esperamos, é consulta, fisioterapia. Tudo demora.”
No ano passado, a fila de espera por eletivas em Franca somava 12.500 pessoas. O Ministério Público ingressou com ação judicial para obrigar o Estado a reduzi-la. Nos primeiros seis meses deste ano, um mutirão atendeu 400 pacientes com problemas cardíacos e oncológicos na Santa Casa em operações pagas com recursos liberados pelo deputado estadual Gilson de Souza (DEM), que repassou R$ 2 milhões (verba parlamentar) para a instituição.
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