O mau cheiro gerado pelos curtumes parece ter dado trégua aos moradores e trabalhadores da região do Distrito Industrial. Após reclamações, a agência da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) local interveio e o problema se amenizou. As reclamações ao órgão, que chegaram a seis por mês em 2012, declinaram. Em julho foi registrada apenas uma queixa. O forte odor é do gás sulfídrico liberado durante o processo de tratamento do couro.
O problema é antigo. A Cetesb já havia notificado a Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins), que gerencia o sistema de processamento feito pelos curtumes, para que tomasse medidas para reduzir o mau cheiro gerado durante o tratamento do couro. A notificação foi feita há cerca de dois anos, mas como o problema persistiu, a Cetesb autuou a Amcoa em maio deste ano a pagar multa de R$ 36 mil por causa do odor. A entidade recorreu. “A lei proíbe que o odor atinja áreas fora da propriedade da empresa; no caso de Franca, não pode ultrapassar o Distrito Industrial. Curtume vai gerar cheiro, mas não pode ser por tempo permanente e causar transtornos à população”, disse Francisco Setti, gerente da Cetesb.
Com as constantes reclamações, a Cetesb realizou vistorias no sistema de tratamento do couro pelos curtumes e constatou o acúmulo de lodo nas lagoas e deficiências na manutenção. Após reunião com a diretoria da agência, a Amcoa se comprometeu a realizar limpeza nas lagoas e fazer adequações para diminuir o mau cheiro. Setti acredita que a fiscalização surtiu efeito. “Fiscalizamos a região do Distrito Industrial com frequência. A população também nos ajuda. Ela é nosso termômetro para sabermos se as ações da Amcoa estão tendo resultados positivos. As reclamações de odor no Distrito Industrial reduziram.”
Setti disse que a Amcoa estaria ainda elaborando um projeto para adequar o sistema à situação atual dos curtumes. “Quando a estrutura foi montada na década de 1990, a realidade dos curtumes era outra. A carga máxima suportada no sistema seria cinco mil peles processadas por dia e hoje temos empresas que sozinhas processam duas mil peles.”
Em junho deste ano, em reportagem publicada pelo Comércio, o gerente da Cetesb disse que os curtumes corriam risco de não terem suas licenças renovadas a partir de junho de 2013 por não atenderem às exigências da companhia. “Hoje, nada, a princípio, impediria a renovação das licenças. O odor está bem restrito à região.”
O diretor da Amcoa foi procurado ontem pela reportagem para comentar o assunto e detalhar as ações feitas pela entidade, mas estava fora de Franca e sem contato telefônico.
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