Por conta das eleições municipais que se aproximam, a Prefeitura obviamente correu para inaugurar o novo Pronto-socorro da cidade. A despeito do pleito e das intenções político-partidárias que ele carrega, não é novidade para ninguém que a saúde pública brasileira, assim como a francana, precisam urgentemente de mais recursos, hospitais, equipamentos e funcionários para movimentar tudo isso.
Nesse sentido, essa aceleração foi muito bem vinda e, consequentemente, aplaudida por toda a população. No entanto, como toda a ação carrega imediatamente uma reação, parece que esse aumento de velocidade foi um pouco exagerado, colocando em funcionamento um setor que talvez ainda não estivesse pronto para começar a atender a população, a despeito de seus efeitos positivos para a campanha eleitoral.
Menos de uma semana depois de inaugurado, o Pronto-socorro ‘Dr. Álvaro Jorge Azzuz’ já está sendo alvo de reclamações por parte das pessoas que ali procuraram atendimento.
Um dos principais problemas é a falta de médicos, algo que não é nenhuma novidade em nossa cidade. Nesses últimos 10 anos, aproximadamente, foram quase uma dezena de concursos públicos e nada de conseguirmos atingir o número de profissionais necessários para atender com qualidade a nossa população. Mas se isso já era um problema antes da inauguração, imaginem agora, com um novo Pronto-socorro em funcionamento?
Para amenizar esse problema, a Prefeitura já começou a se movimentar. No edital publicado no último dia 21, mudou algumas regras do concurso público e deixou de lado as provas e a necessidade de pagamento das inscrições.
Porém, essa tentativa de tornar o concurso mais simples e atraente para os médicos corre o risco de não dar em nada novamente. O problema da falta de médicos, com certeza não está na existência de provas, que funciona mais como uma ferramenta classificatória. Não está, também, no pagamento da inscrição, principalmente para um profissional que gastou uma soma considerável de dinheiro durante seus estudos e que geralmente trabalha desde o quinto ano de faculdade, fazendo plantões que lhe remuneram bem melhor do que os muitos empregos que sustentam a maior parte da população brasileira.
O problema, é importante repetir mais uma vez, está nos salários oferecidos aos médicos. Se não são baixos em comparação ao que é pago aos outros servidores públicos, o são pelo menos em relação à realidade profissional vivenciada pelos médicos.
Se a Prefeitura quiser realmente sanar esse problema, a despeito do novo ou do velho Pronto-socorro, terá de encontrar uma maneira de aumentar esses salários, ou pelo menos o número de médicos, diminuindo assim a carga horária de cada um. Talvez isso desagrade outros profissionais, porque o médico, a despeito de sua importância, não trabalha sozinho.
Mas apenas tirar as provas e as inscrições não resolverá o problema. Talvez nem seja um paliativo.
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