Ouvi certa vez de um senhor com bastante rodagem na vida e detentor de grande e apurado senso de observação, que a inveja é, sem dúvida, um dos sentimentos mais cruéis entre os vivenciados pelo ser humano, É, geralmente, incontrolável e destrutiva.
O invejoso, prioritariamente, não quer aquilo que o outro tem, mas ficaria feliz se o outro também não tivesse.
O invejoso não quer alcançar o sucesso que o outro alcançou, mas ficaria alegre e satisfeito com o fracasso do outro. O invejoso, geralmente, tenta justificar sua incapacidade e suas derrotas, procurando uma explicação negativa para as vitórias alcançadas pela pessoa invejada.
Não quer estar onde o outro está, mas ficaria feliz e realizado se o outro – o invejado – também não atingisse suas metas e seus objetivos. O invejoso tem ambição, mas não tem ideal.
Obviamente que estou me referindo à inveja desmedida, destrutiva e, algumas vezes, até doentia.
No próprio Velho Testamento, livro da Gênese, encontramos a inveja como a causa que levou Caim a matar seu irmão, Abel. Em várias outras passagens do texto bíblico, vamos encontrá-la como pano de fundo de muitas outras atrocidades.
Se bem atentarmos para a bela e rica história de Jesus, nosso Mestre maior, quando Ele esteve entre nós, constatar-se-á, inequivocamente, que a fúria da cúpula judaica da época contra Ele, foi desencadeada pelo sentimento de inveja.
Sim, Jesus ficou incontrolavelmente famoso e as pessoas afloravam de todos os cantos para conhecê-lo. Queriam ter um contato, ainda que fugaz, com aquele Homem que estava realizando, em meio ao povo, proezas e fenômenos admiráveis, como curar cegos e ressuscitar mortos, além de atualizar a lei trazendo novos conceitos de amor incondicional, perdão e caridade.
Assim, a inveja acabou levando Jesus ao calvário, e, ainda que indiretamente, acabou se transformando no instrumento que possibilitou a realização da profecia contida nas Escrituras.
Muitas metas e objetivos nas várias áreas das atividades humanas, algumas vezes não são alcançados por um determinado grupo, embora fosse ele constituído de pessoas capazes, porque entre os membros desse grupo há um que não consegue controlar a vaidade e, por via de consequência, controlar a inveja.
Atualmente, a característica maior do verdadeiro líder de um grupo manifesta-se através da sua capacidade em administrar com eficiência o ego, a vaidade e, principalmente, a inveja, entre seus liderados.
Também é importante não confundir admiração com inveja. Admirar a forma de ser ou o sucesso de uma pessoa, usando-a como paradigma e como estímulo para atingir nossas próprias metas e os nossos legítimos objetivos de vida, é algo positivo, pois isso nos impulsiona a buscar a realização dos nossos sonhos pessoais e profissionais.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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