O caso da Santa Casa parece que continua na mesma. Os capítulos se repetem, como se fossem uma novela em que o autor, para segurar a audiência, alonga o máximo possível as tramas de mais ibope. O déficit continua aumentando, a fila das cirurgias eletivas anda muito lentamente e as indefinições permanecem.
Nessa última semana, porém, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha esteve em Franca e falou ao vivo pela Difusora AM. Nos 15 minutos em que ficou no ar, disse que o governo federal vai disponibilizar cerca de R$ 125 milhões para São Paulo. A idéia é ampliar os mutirões e reduzir o tempo de espera por uma cirurgia eletiva nas Santas Casas paulistas.
No entanto, o que deveria ser motivo de comemoração, principalmente para aqueles que já sofrem nessas filas há bastante tempo, parece que vai se transformar em outra daquelas intermináveis novelas. Quase um mês depois da publicação dessa portaria estabelecendo os critérios para incentivar os mutirões, nem o município e nem o Estado se pronunciaram.
O primeiro diz que a responsabilidade pela elaboração do projeto a ser enviado ao Ministério da Saúde é da DRS-8 (Diretoria Regional de Saúde). O segundo, por sua vez, disse que não estava sabendo dessa liberação de recursos e por isso não poderia se pronunciar.
De certa forma, o quadro não é tão surpreendente assim. Apenas reafirma, de maneira bastante transparente, aquilo que já sabemos há muito tempo, ou seja, que não existe uma sinergia e muito menos um trabalho conjunto entre os vários níveis de comando de nossa república. Muito ao contrário, o que é possível inferir é que há realmente um jogo de empurra entre estado, federação e município, um jogo no qual o fluxo de informação é mera retórica.
Esse cenário, porém, apesar de ruim, permite uma reflexão interessante em relação ao modo como estamos construindo nossa democracia. De entrada, já é possível afirmar que ela é exageradamente centralizada em Brasília, o que é preocupante para um país de dimensões continentais e com um histórico bastante sombrio de malversação de dinheiro público.
Se o cidadão vive e produz em sua cidade, seria mais lógico, no atual contexto do mundo contemporâneo, que seus impostos ficassem prioritariamente no âmbito do município e não fossem para o Estado ou para Brasília para depois voltarem em função de interesses políticos ou do bom humor de algum burocrata de plantão.
Deixar que Brasília decida, mesmo que indiretamente, sobre as cirurgias eletivas de nossa cidade talvez já seja um anacronismo de nossa república. Com certeza, está na hora de enfrentarmos com coragem uma reforma fiscal. Doa a quem doer.
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